Moradores voltam a enfrentar fila para comprar água sob escolta policial após ameaça de facção no Ceará

03/11/2026
População volta a formar fila para comprar água sob escolta policial após ameaça de facção em Banabuiú — Foto: TV Verdes Mares
População volta a formar fila para comprar água sob escolta policial após ameaça de facção em Banabuiú — Foto: TV Verdes Mares

Por Revista Formosa

Moradores de Banabuiú, no Sertão Central do Ceará, voltaram a enfrentar filas nesta terça-feira (3) para comprar água mineral. A comercialização continua sendo realizada sob escolta policial, após comerciantes suspenderem as vendas por medo de ameaças atribuídas a integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV).

A distribuição ocorre em caráter emergencial e conta com o apoio da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e das forças de segurança estaduais. A operação foi retomada na Praça da Matriz, depois de uma interrupção durante o fim de semana e o feriado de segunda-feira (2).

Moradores enfrentam mudanças na rotina

Com a suspensão das vendas pelos comerciantes locais, os moradores precisam se deslocar por conta própria até o ponto de distribuição para conseguir água mineral. Algumas pessoas utilizam motocicletas, enquanto outras transportam os garrafões a pé.

Nesta terça-feira, o atendimento começou por volta das 11h, embora estivesse inicialmente previsto para as 7h. Cada pessoa pode comprar até dois garrafões de 20 litros, pelo valor total de R$ 6.

A previsão é de disponibilização de aproximadamente mil garrafões por dia. A medida deverá continuar enquanto não houver condições de segurança para que os comerciantes retomem normalmente as atividades.

Ameaças e cobranças a comerciantes

As intimidações começaram a circular em outubro, por meio de mensagens atribuídas ao Comando Vermelho. Os comunicados, identificados como "Edital Banabuiú", estabeleciam supostas regras para a comercialização e distribuição de água mineral no município.

Segundo as investigações, os responsáveis pelas ameaças exigiam pagamentos para permitir o funcionamento dos estabelecimentos. Há relatos de cobranças semanais de aproximadamente R$ 750, além de outras exigências financeiras.

Diante da situação, comerciantes interromperam as vendas, comprometendo o acesso da população ao produto.

Três suspeitos foram presos

No dia 22 de outubro, três homens foram presos durante uma operação das forças de segurança, suspeitos de envolvimento em ameaças e extorsões contra comerciantes.

Durante a ação, foram apreendidos um revólver calibre .38, munições, seis aparelhos celulares, um notebook e dinheiro.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que o suposto mandante das ameaças foi identificado e estaria no Rio de Janeiro. As autoridades cearenses trabalham em conjunto com a Polícia Civil daquele estado para avançar nas investigações.

Mesmo com as prisões e o reforço do policiamento, os comerciantes ainda demonstram receio de retomar as atividades, mantendo a necessidade da operação especial para garantir o abastecimento.

O caso evidencia como a atuação de organizações criminosas pode interferir diretamente na rotina de uma cidade, atingindo não apenas os comerciantes, mas também o acesso da população a um produto essencial.

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