Formosa do Rio Preto: a trajetória de Dona Francisca, mulher geraizeira e símbolo de resistência

09/05/2026
Francisca Lopes dos Santos - Imagem/Revista Formosa
Francisca Lopes dos Santos - Imagem/Revista Formosa

Por Revista Formosa

Por Mariano França, com colaboração da editoria da Revista Formosa

Nascida na localidade de Cacimbinha, nos Gerais do Rio Preto, em Formosa do Rio Preto, oeste da Bahia, Francisca Lopes dos Santos construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela fé, pela força feminina e pela dedicação à família e ao povo geraizeiro. 

Filha de Manoel Lopes dos Santos, conhecido como Manezinho, e Luiza Lopes dos Santos, Dona Francisca tornou-se uma das mulheres mais lembradas e respeitadas da região.

Ao lado dos irmãos Firmina Lopes dos Santos, Aristeia Lopes dos Santos, Santana Lopes dos Santos, Maria Ciroca Lopes dos Santos, José Lopes dos Santos (Zé de Rola), Domingos Lopes dos Santos (Domingo Velho) e Zacarias Lopes dos Santos, ela cresceu em meio às tradições do povo dos Gerais, aprendendo desde cedo o valor do trabalho coletivo e da vida simples no campo.

Dona Francisca foi casada com Pedro Gomes, conhecido como Pedro Preto. Juntos, formaram uma grande família e criaram oito filhos: 

Júlia Gomes dos Santos (Júlia de Pedro Preto), Getúlio Gomes dos Santos, Virgulino Gomes dos Santos (Bira de Pedro Preto), Ermenísia Gomes dos Santos (Baducha), Nazinha Gomes dos Santos, Osvaldo Gomes dos Santos, Maria Gomes dos Santos e Luiza Gomes dos Santos (Luiza de Oliveira).

Pedro Preto e Dona Francisca
Pedro Preto e Dona Francisca

O legado deixado por Dona Francisca atravessa gerações. Sua família cresceu e hoje soma 48 netos, 118 bisnetos e 35 tataranetos, muitos deles ainda preservando costumes, memórias e tradições do povo geraizeiro.

Conhecida pela coragem e disposição para o trabalho, Dona Francisca atuava lado a lado com os homens nas tarefas mais pesadas. 

No engenho de cana-de-açúcar, era responsável por moer a cana, mexer a garapa no tacho e dar o ponto da rapadura. Também subia as serras em busca do tucum, de onde extraía fibras utilizadas na produção de cordas, redes, linhas de anzol e materiais usados na lida do campo.

Além disso, foi fiandeira. Com o fuso, produzia linhas de algodão que eram enviadas para o sul do Piauí, onde se transformavam em tecidos. Depois, ela mesma confeccionava roupas para filhos, netos, noras e genros, além de cobertas, forros de cama e redes de descanso.

A rotina de Dona Francisca também incluía a coleta e raspagem do buriti para produção de doces e venda das polpas, a extração artesanal de sal nas serras e o trabalho como quebradeira de coco, produzindo óleo para cozinhar e paçocas para alimentar a família.

Ao lado do marido, tornou-se também balceira. O casal descia para Formosa em balsas carregadas de farinha de mandioca, tapioca, arroz, cordas de tucum, borracha do leite de mangaba e produtos extraídos do buriti, comercializados na cidade.

Mariano França e Dona Francisca
Mariano França e Dona Francisca

Mas uma das missões mais lembradas de Dona Francisca foi a de parteira. Ela ajudou no nascimento de inúmeras crianças em comunidades como Regaris, Cachoeira, Cacimbinha, Barra do Tapuio e Furtuoso. Entre os que vieram ao mundo pelas suas mãos está Mariano França, que relembra com emoção a relação construída ao longo da vida.

"Eu tive o privilégio de vir ao mundo pelas mãos de Dona Francisca, a quem sempre chamei de Mãe Chica", recorda.

Reconhecida pela hospitalidade, Dona Francisca e Pedro Preto também se destacaram como líderes em defesa do povo geraizeiro e de seu território. A casa do casal era ponto de acolhimento para moradores e viajantes, sempre recebidos com carinho, comida e atenção.

Ela também organizava mulheres da região para viagens até Formosa do Rio Preto, auxiliando em compras, atendimentos médicos e outras necessidades da comunidade.

Já na velhice, Dona Francisca escolheu morar na casa do filho Osvaldo Gomes dos Santos, onde permaneceu até os últimos dias de vida, cercada pelo cuidado da família e pelo respeito conquistado ao longo de sua história.

Dona Francisca Lopes dos Santos faleceu em 18 de abril de 2014, deixando um legado de trabalho, solidariedade e resistência que segue vivo na memória de familiares, amigos e moradores dos Gerais.

A memória de Dona Francisca permanece como símbolo da mulher geraizeira forte, trabalhadora e comprometida com sua comunidade.

@revista.formosa

Formosa do Rio Preto: Dona Francisca Lopes dos Santos deixa legado de força e tradição nos Gerais Natural da localidade de Cacimbinha, nos Gerais do Rio Preto, em Formosa do Rio Preto, Dona Francisca Lopes dos Santos marcou gerações pela dedicação à família, ao trabalho e à cultura geraizeira. Casada com Pedro Gomes, o “Pedro Preto”, criou oito filhos e construiu uma grande descendência formada por netos, bisnetos e tataranetos. Mulher forte e trabalhadora, atuou no engenho de cana, na produção de rapadura, na extração de fibras de tucum, no artesanato, na produção de tecidos, além da coleta de buriti, extração de sal e quebra de coco. Também trabalhou ao lado do marido como balceira, comercializando produtos dos Gerais em Formosa do Rio Preto. Reconhecida como parteira, Dona Francisca ajudou no nascimento de inúmeras crianças em comunidades rurais da região. Ela e Pedro Preto também foram lembrados pela liderança e acolhimento ao povo geraizeiro. Dona Francisca faleceu em 18 de abril de 2014, deixando um legado de resistência, solidariedade e preservação das tradições dos Gerais. Matéria Completa: https://www.revistaformosa.com/l/formosa-a-trajetoria-de-dona-francisca-mulher-geraizeira-e-simbolo-de-resistencia/

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