Recuperações judiciais avançam e número de empresas em crise dispara no Brasil em meio a dívidas e juros altos

Por Revista Formosa
O número de empresas brasileiras em recuperação judicial aumentou 66% em três anos, chegando a 6.341 companhias. Ao mesmo tempo, cerca de 9,1 milhões de empresas enfrentam dificuldades para pagar as contas, acumulando aproximadamente R$ 232 bilhões em dívidas atrasadas.
O cenário atinge comércio, indústria, construção, transportes e agronegócio e é agravado pelos juros elevados, que encarecem o crédito e dificultam a renegociação de débitos.
Entre os casos recentes estão Casas Bahia e Lojas Marabraz. A Casas Bahia possui cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, enquanto a Marabraz acumula R$ 140 milhões. A varejista também havia fechado quase 300 lojas e planejava cerca de 3 mil demissões, medidas suspensas pela Justiça do Trabalho.
No varejo, a dívida da Casas Bahia fica atrás apenas da Americanas. O GPA aparece na sequência, com R$ 4,5 bilhões em débitos. Apesar do avanço do comércio eletrônico, o setor cresceu 1,9% no primeiro semestre de 2026 sobre o mesmo período de 2025, enquanto as lojas físicas da Casas Bahia recuaram 2,6%.
A pressão também chega ao agronegócio. 26 a cada 1.000 negócios do setor estão em recuperação judicial, proporção mais de três vezes superior à da indústria. A queda nos preços das commodities e o custo do financiamento estão entre os fatores apontados.
Outro problema é a inadimplência das famílias. Em julho, cerca de 84 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, segundo a Serasa Experian. A redução do consumo também afeta as empresas.
Entre janeiro de 2023 e março de 2026, o varejo teria deixado de faturar R$ 143 bilhões devido aos recursos destinados às apostas esportivas.
A taxa básica de juros está em 14% ao ano e permanece em dois dígitos há mais de quatro anos, dificultando investimentos e aumentando o custo das dívidas.
Mesmo com medidas do governo, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda e programas de renegociação de dívidas, especialistas avaliam que o alto endividamento, a inadimplência e o crédito caro limitam os efeitos dos estímulos.
Com 6.341 empresas já em recuperação judicial e milhões de negócios pressionados por dívidas, o cenário mostra que crédito caro, consumo enfraquecido e elevado endividamento continuam pesando sobre empresas, investimentos e empregos no país.
