Presidente do Paraguai renuncia após crise em banco que atingiu milhões de clientes

05/11/2026
Com a renúncia de Peña, o Paraguai enfrenta um momento crítico, enquanto poupadores buscam recuperar seus depósitos no Ueno Bank  |   Bnews - Divulgação José Cruz/ Agência Brasil
Com a renúncia de Peña, o Paraguai enfrenta um momento crítico, enquanto poupadores buscam recuperar seus depósitos no Ueno Bank | Bnews - Divulgação José Cruz/ Agência Brasil

Por Revista Formosa

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, em meio a uma grave crise financeira envolvendo o banco digital Ueno Bank. O episódio provocou forte reação popular, investigações sobre possíveis irregularidades e uma movimentação de parlamentares para afastar o chefe do Executivo por meio de um processo de impeachment.

A decisão foi anunciada enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura do procedimento contra o presidente. A renúncia ainda depende da formalização e da aceitação pelas instâncias competentes do Congresso paraguaio.

Peña, que assumiu a Presidência em 2023, afirmou que tomou a decisão considerando a estabilidade do país, a tranquilidade da população e a preservação das instituições democráticas. Ele também manifestou preocupação com os clientes que tiveram dificuldades para acessar seus recursos financeiros.

Crise bancária atingiu milhões de pessoas

O centro da crise é o Ueno Bank, instituição pertencente ao Grupo Vázquez, que teve suas atividades interrompidas na terça-feira (3), após uma intervenção do Banco Central do Paraguai.

A medida ocorreu depois que foram identificadas dificuldades nos indicadores de solvência da instituição, relacionadas a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

O banco possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do sistema de previdência social paraguaio.

Com a interrupção das atividades, milhares de pessoas ficaram sem acesso às contas e às economias. A situação provocou filas em agências, manifestações e preocupação com a segurança do sistema financeiro do país.

Ligação de Peña com o banco entrou no centro das acusações

Um dos principais pontos de questionamento é a relação anterior de Santiago Peña com o grupo controlador do banco. O presidente foi acionista da holding proprietária da instituição até março de 2025.

Parlamentares da oposição apontaram possíveis conflitos de interesses, manipulação regulatória, uso irregular de recursos previdenciários e tentativa de encobrir irregularidades envolvendo o Banco Central.

Na Câmara, 35 deputados assinaram o documento de acusação contra o presidente. A iniciativa buscava avançar com o processo de impeachment em meio ao aumento da pressão política.

Peña negou responsabilidade pelas irregularidades e afirmou que os envolvidos deverão responder perante a Justiça.

Investigações e sucessão presidencial

A crise também provocou mudanças na estrutura de fiscalização financeira do país. O então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, deixou o cargo, enquanto oito executivos ligados ao Ueno Bank foram detidos. Entre eles está o presidente-executivo da instituição, Miguel Vázquez.

Além disso, 27 pessoas ligadas ao banco foram formalmente acusadas, e a Justiça determinou o bloqueio de bens.

Com a renúncia de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana aparece como sucessor constitucional, caso a saída seja aceita pelo Congresso. Ele deverá assumir a Presidência e concluir o mandato, previsto para agosto de 2028.

O episódio representa uma das mais graves crises políticas e financeiras enfrentadas pelo Paraguai nos últimos anos, colocando em discussão a fiscalização do sistema bancário e a relação entre poder político e instituições financeiras.

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