Pesquisa internacional confirma que anta não está extinta na Caatinga e destaca APA do Rio Preto, no oeste da Bahia

Por Revista Formosa
Uma descoberta de grande importância para a conservação da fauna brasileira está colocando o oeste da Bahia em destaque no cenário científico internacional.
Um estudo publicado na revista Biological Conservation, uma das principais publicações científicas da área de conservação da biodiversidade, apresenta evidências de que a anta (Tapirus terrestris) não está extinta na Caatinga, contrariando a classificação de extinção regional adotada anteriormente para o bioma.
O trabalho, intitulado "In search of the lost tapir: Reassessing regional extinction through local ecological knowledge and occurrence records in the Caatinga biome", reúne dados coletados ao longo de quatro anos de pesquisas nos estados da Bahia, Minas Gerais e Piauí.
Os pesquisadores percorreram aproximadamente 25 mil quilômetros, realizaram entrevistas com moradores e levantaram registros científicos, históricos e evidências encontradas em campo. Ao todo, foram compilados 272 registros de antas na Caatinga, sendo 219 considerados atuais.
Entre as áreas de ocorrência está a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Preto, que aparece expressamente na tabela de localidades pesquisadas. O estudo registra, na unidade, evidências por armadilha fotográfica e pegadas, além de registros históricos. A APA possui mais de 1,14 milhão de hectares.
Os registros atuais identificados pelos pesquisadores estão concentrados principalmente nas regiões oeste e sudoeste da Caatinga, em áreas próximas a grandes rios.
O estudo aponta uma associação frequente da espécie com cursos d'água como os rios Carinhanha, Corrente, Grande, Preto e Verde Grande, que funcionam como importantes ambientes de abrigo, alimentação e deslocamento para esses animais.
APA do Rio Preto ganha destaque
A presença da APA do Rio Preto no levantamento representa um dado de grande relevância para a conservação da biodiversidade regional. A unidade aparece entre as áreas onde foram encontrados registros atuais da anta, reforçando a importância dos ambientes naturais protegidos no oeste baiano.
De acordo com as informações relacionadas à pesquisa, os registros foram realizados no município de Mansidão, no oeste da Bahia, dentro da área de abrangência da APA do Rio Preto.
A pesquisa também destaca que a Bahia foi o estado com maior número de registros de antas entre os locais estudados: foram 207 registros, sendo 171 atuais e 36 históricos.
Iedo Vitor é citado nos agradecimentos

Outro destaque relacionado à pesquisa é a participação de Iedo Vitor, que aparece nominalmente nos agradecimentos do artigo científico.
Os pesquisadores agradecem a Iedo pelas contribuições como especialista em questões ambientais da Caatinga e também o citam entre os gestores de áreas protegidas que colaboraram com o desenvolvimento das atividades de campo.
A menção reforça a participação e a colaboração de profissionais que atuam diretamente na proteção das áreas naturais e que contribuem para aproximar o conhecimento científico da realidade encontrada em campo.
Uma nova perspectiva para a conservação
A classificação da anta como regionalmente extinta na Caatinga havia sido adotada em 2012, embora, segundo os autores, não tivessem sido realizados levantamentos sistemáticos suficientes para comprovar a extinção da espécie no bioma.
Com os novos dados, os pesquisadores afirmam que os registros atuais refutam a condição de extinção regional e demonstram que ainda existem antas na Caatinga, embora em baixa densidade e distribuídas de forma desigual.
O estudo alerta, entretanto, que a sobrevivência desses animais continua ameaçada. Entre os principais problemas apontados estão o desmatamento, queimadas, caça, degradação dos corpos d'água e a redução da disponibilidade de água.
Os autores defendem a realização de novos estudos e o fortalecimento da proteção dos habitats onde a espécie ainda ocorre. Entre as áreas consideradas prioritárias estão regiões associadas aos rios Carinhanha, Grande, Preto e Verde Grande.
Para o oeste da Bahia, a pesquisa representa uma importante confirmação científica: a anta, considerada desaparecida da Caatinga, continua presente na região — e a APA do Rio Preto está entre os territórios que guardam evidências dessa sobrevivência.
Estudo publicado na revista Biological Conservation na íntegra
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