Operação Iceberg prende 11 suspeitos de rede de drogas que movimentou R$ 9,6 milhões na Bahia

Por Revista Formosa
Uma operação da Polícia Civil da Bahia prendeu 11 pessoas nesta quinta-feira (24) durante uma ação contra uma organização investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Batizada de Operação Iceberg, a ofensiva teve como alvo uma rede que, segundo as investigações, comercializava entorpecentes para consumidores de alto poder aquisitivo.
Foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e realizadas duas prisões em flagrante. As ações ocorreram em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus. Um dos investigados já estava preso no sistema prisional de Aracaju, em Sergipe, onde também teve o mandado cumprido.
Rede usava redes sociais para vender drogas
De acordo com a investigação, o grupo utilizava redes sociais, especialmente o Instagram, para negociar drogas, com pagamentos realizados principalmente por PIX e entregas feitas de maneira discreta.
Entre os consumidores identificados pela polícia estariam médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo.
Os entorpecentes eram anunciados com diferentes denominações, como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA. A investigação também aponta que a organização utilizava diferentes estratégias para transportar e esconder as drogas.
Investigação aponta movimentação de R$ 9,6 milhões
Um dos principais alvos da operação foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador. Segundo a Polícia Civil, o investigado receberia drogas de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e coordenaria a distribuição para Salvador, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus.
A análise financeira apontou uma movimentação superior a R$ 9,6 milhões ao longo de cinco anos, distribuída em mais de 16,6 mil transações bancárias.
Ainda segundo as investigações, empresas, contas de terceiros e pessoas interpostas teriam sido utilizadas para movimentar ou ocultar recursos.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.
Quem são os investigados citados na operação
Entre os nomes divulgados pelas autoridades e pela imprensa estão:
- Erik Castro Gusmão Seixas — apontado pela investigação como principal operador das vendas de maconha por meio do Instagram;
- Luan Costa da Silva — apontado como responsável pela distribuição de drogas em Santo Antônio de Jesus;
- Marco Antonio Cavalcanti de Azevedo Lopes — investigado por atuação na distribuição de entorpecentes em Vitória da Conquista;
- Laisa Franca Lacerda — apontada como responsável por guardar drogas em sua residência;
- Matheus Ribeiro Mello do Nascimento — segundo a investigação, atuava na intermediação de compras e buscava fornecimento de drogas no Paraguai;
- Guilherme Rodrigues de Oliveira — citado na investigação em ligação com uma empresa apontada como utilizada para lavagem de capitais;
- Robson Siqueira Reis — teve mandado de prisão cumprido durante a operação;
- Marcelo Botelho Reis — foi preso em flagrante após, segundo a polícia, ser encontrado com uma arma de fogo;
- Tyago de Assis Conceição — apontado como fornecedor e localizado no sistema prisional de Sergipe;
- Camila Ingrid Dourado Bezerra — foi presa em flagrante após, conforme a investigação, drogas serem encontradas em sua residência.
As publicações consultadas identificam dez dos 11 presos nominalmente. O 11º detido não teve o nome divulgado nas reportagens utilizadas como fonte.
Veículos de luxo avaliados em mais de R$ 1,1 milhão
A operação também atingiu o patrimônio atribuído aos investigados. Foram apreendidos oito veículos e uma motocicleta, incluindo modelos como Audi A4, Audi Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass, Chevrolet Tracker e Honda NXR 160 Bros.
Segundo valores de referência da tabela FIPE, os veículos apreendidos estão avaliados em mais de R$ 1,1 milhão. A investigação aponta que parte do patrimônio teria sido registrada em nome de familiares ou terceiros.
Além dos veículos, os policiais apreenderam entorpecentes, celulares, documentos e armas de fogo, materiais que deverão passar por análise pericial.
Drogas eram transportadas de forma dissimulada
A investigação identificou diferentes métodos utilizados pelo grupo para transportar os entorpecentes.
Em Vitória da Conquista, segundo a polícia, drogas teriam sido escondidas dentro de potes de produtos estéticos e transportadas em ônibus comerciais.
A estratégia, conforme os investigadores, tinha como objetivo dificultar a identificação do material durante o deslocamento.
Operação teve origem em outra investigação
A Operação Iceberg surgiu a partir de informações obtidas durante a Operação Gênesis, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A análise de um perfil em rede social teria levado os investigadores a identificar indícios de comercialização de drogas. A partir daí, a polícia passou a investigar a estrutura responsável pelo fornecimento, distribuição, armazenamento e movimentação financeira.
A operação contou com equipes do DHPP, Departamento de Inteligência Policial (DIP), Laboratório de Lavagem de Capitais (LAB-LD), Denarc, Depin, Core e Departamento de Polícia Técnica (DPT).
Os 11 presos permanecem à disposição da Justiça. As acusações e suspeitas ainda serão analisadas no curso dos procedimentos judiciais, respeitando-se o direito à defesa e a presunção de inocência.
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