Operação Faroeste: STJ condena desembargadora e ex-juiz por venda de sentenças na Bahia

22/10/2026

Julgamento condena cinco réus e absolve outros três em processo sobre esquema de venda de decisões judiciais na Bahia.

Penas de reclusão variam de 10 a 21 anos para os condenados, com perda de cargos e aposentadorias decretadas pelo tribunal  |   Bnews - Divulgação Fotos: Divulgação
Penas de reclusão variam de 10 a 21 anos para os condenados, com perda de cargos e aposentadorias decretadas pelo tribunal | Bnews - Divulgação Fotos: Divulgação

Por Revista Formosa

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou cinco réus investigados na Operação Faroeste, que apurou um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a suposta comercialização de decisões judiciais em disputas por terras no oeste da Bahia. O julgamento foi concluído na quarta-feira (21).

Entre os condenados estão a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), e o juiz aposentado Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, que também atuou em Formosa do Rio Preto, no oeste baiano.

Maria do Socorro foi condenada a 14 anos e 11 meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Sérgio Humberto recebeu pena de 15 anos e oito meses de reclusão pelos mesmos crimes.

Também foram condenados Adailton Maturino dos Santos, apontado como articulador do esquema, a 21 anos e sete meses; sua esposa, a advogada Geciane Souza Maturino dos Santos, a 16 anos e quatro meses; e o advogado Ricardo Augusto Três, a 10 anos e nove meses de prisão. Todos receberam penas em regime inicial fechado.

Foram condenados:

  • Adailton Maturino dos Santos, apontado como mentor do esquema, a 21 anos e sete meses de prisão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro;
  • Geciane Maturino dos Santos, esposa de Adailton e advogada a 16 anos e quatro meses de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
  • Sérgio Humberto de Sampaio, juiz de primeiro grau, a 15 anos e oito meses de prisão por corrupção passiva e por lavagem de dinheiro;
  • Maria do Socorro Barreto, desembargadora, a 14 anos e 11 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro;
  • Ricardo Augusto Três, advogado, a 10 anos e nove meses por corrupção ativa.

As defesas dos acusados negam a autoria dos crimes por falta de provas.

Esquema envolvia disputas por terras no oeste baiano

De acordo com as investigações, o esquema envolvia a negociação de decisões judiciais para favorecer interesses privados em conflitos fundiários na região oeste da Bahia. A apuração apontou a suposta atuação de intermediários e o pagamento de vantagens indevidas a integrantes do Judiciário.

Adailton Maturino foi apontado pela acusação como responsável pela articulação do núcleo privado da organização. O processo também abordou disputas relacionadas a propriedades rurais e registros imobiliários, incluindo questões envolvendo a Fazenda Estrondo.

As investigações identificaram ainda movimentações financeiras que, segundo a acusação, teriam sido utilizadas para ocultar a origem e o destino de recursos supostamente relacionados ao pagamento de propinas.

Absolvições e consequências

No mesmo julgamento, outros três réus — Amanda Santiago Andrade Sousa, Márcio Duarte Miranda e Valdete Aparecida Stresser — foram absolvidos por insuficiência de provas.

O tribunal também determinou a perda dos cargos públicos dos magistrados condenados, conforme os termos da decisão, incluindo a cassação da aposentadoria compulsória de Sérgio Humberto.

As condenações estão sujeitas aos recursos cabíveis e não devem ser confundidas com o trânsito em julgado.

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