Médica que atuava em Luís Eduardo Magalhães é presa em operação da PF contra falsificação de diplomas de Medicina

13/08/2026
Médica que atuava na BA está entre presos durante operação contra grupo que falsificava diplomas de medicina — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Médica que atuava na BA está entre presos durante operação contra grupo que falsificava diplomas de medicina — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por Revista Formosa

Uma médica que atuava em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, está entre as três pessoas presas pela Polícia Federal durante a Operação Canudo, deflagrada na quarta-feira (12) para desarticular um grupo suspeito de falsificar e comercializar diplomas e outros documentos acadêmicos relacionados a cursos de Medicina.

A informação foi confirmada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13). A investigada foi identificada como Aline Candice Calor Magalhães. Ela foi presa preventivamente em Luís Eduardo Magalhães. A defesa da médica não havia sido localizada até a última atualização das informações.

Segundo a investigação, Aline teria se mudado de São Paulo para a Bahia depois de concluir a formação médica e estaria envolvida no esquema investigado pela PF.

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e três de prisão, sendo duas prisões preventivas e uma temporária. As ordens judiciais foram executadas em Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, na Bahia, e em Montes Claros e Bocaiuva, no norte de Minas Gerais.

Como funcionava o esquema

De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado produzia e comercializava diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos falsificados.

Os documentos seriam utilizados principalmente de duas maneiras: para tentar obter registro profissional nos Conselhos Regionais de Medicina e para facilitar o ingresso ou a transferência de estudantes para cursos de Medicina já em andamento, inclusive em etapas próximas à conclusão da graduação.

A investigação também apontou movimentações financeiras entre integrantes do grupo e pessoas que seriam interessadas na aquisição dos documentos.

A PF estima que pelo menos 45 pessoas já inscritas como médicas ou médicos em Conselhos Regionais de Medicina teriam pago ao grupo para conseguir documentos falsificados que possibilitassem o registro profissional.

Investigação começou em 2023

PF prende três em esquema que vendia diplomas falsos para cursos de medicina em MG — Foto: Polícia Federal
PF prende três em esquema que vendia diplomas falsos para cursos de medicina em MG — Foto: Polícia Federal

As apurações tiveram início em 2023, depois que o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) identificou um diploma falso apresentado durante um processo de obtenção de registro profissional.

O documento teria sido apresentado por uma mulher de 33 anos que exercia a medicina em Cacique Doble (RS) e afirmava ter se formado no Centro Universitário Funorte, em Montes Claros (MG). A falsificação foi descoberta durante a análise da documentação apresentada ao conselho.

A partir desse caso, os investigadores encontraram indícios de uma estrutura especializada na produção e comercialização de documentos acadêmicos falsos, com atuação que teria alcançado diferentes estados brasileiros.

Principal investigado já havia sido alvo da PF

Ainda segundo a Polícia Federal, o principal investigado na Operação Canudo já havia sido alvo de uma investigação em 2016 relacionada a fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Na ocasião, a PF identificou um grupo que recrutava professores e estudantes para realizar provas e repassar respostas por meio de dispositivos eletrônicos a candidatos que pagavam pelo serviço. A investigação envolveu três estados e terminou com a prisão de integrantes da organização.

As investigações da Operação Canudo continuam. A Polícia Federal busca identificar outras pessoas que possam ter participado do esquema, além de possíveis compradores ou usuários dos documentos falsificados.

Os investigados poderão responder por crimes relacionados à falsificação e uso de documentos, entre outros delitos que eventualmente sejam identificados durante o avanço das apurações.

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