Médica que atuava em Luís Eduardo Magalhães é presa em operação da PF contra falsificação de diplomas de Medicina

Por Revista Formosa
Uma médica que atuava em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, está entre as três pessoas presas pela Polícia Federal durante a Operação Canudo, deflagrada na quarta-feira (12) para desarticular um grupo suspeito de falsificar e comercializar diplomas e outros documentos acadêmicos relacionados a cursos de Medicina.
A informação foi confirmada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13). A investigada foi identificada como Aline Candice Calor Magalhães. Ela foi presa preventivamente em Luís Eduardo Magalhães. A defesa da médica não havia sido localizada até a última atualização das informações.
Segundo a investigação, Aline teria se mudado de São Paulo para a Bahia depois de concluir a formação médica e estaria envolvida no esquema investigado pela PF.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e três de prisão, sendo duas prisões preventivas e uma temporária. As ordens judiciais foram executadas em Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, na Bahia, e em Montes Claros e Bocaiuva, no norte de Minas Gerais.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado produzia e comercializava diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos falsificados.
Os documentos seriam utilizados principalmente de duas maneiras: para tentar obter registro profissional nos Conselhos Regionais de Medicina e para facilitar o ingresso ou a transferência de estudantes para cursos de Medicina já em andamento, inclusive em etapas próximas à conclusão da graduação.
A investigação também apontou movimentações financeiras entre integrantes do grupo e pessoas que seriam interessadas na aquisição dos documentos.
A PF estima que pelo menos 45 pessoas já inscritas como médicas ou médicos em Conselhos Regionais de Medicina teriam pago ao grupo para conseguir documentos falsificados que possibilitassem o registro profissional.
Investigação começou em 2023

As apurações tiveram início em 2023, depois que o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) identificou um diploma falso apresentado durante um processo de obtenção de registro profissional.
O documento teria sido apresentado por uma mulher de 33 anos que exercia a medicina em Cacique Doble (RS) e afirmava ter se formado no Centro Universitário Funorte, em Montes Claros (MG). A falsificação foi descoberta durante a análise da documentação apresentada ao conselho.
A partir desse caso, os investigadores encontraram indícios de uma estrutura especializada na produção e comercialização de documentos acadêmicos falsos, com atuação que teria alcançado diferentes estados brasileiros.
Principal investigado já havia sido alvo da PF
Ainda segundo a Polícia Federal, o principal investigado na Operação Canudo já havia sido alvo de uma investigação em 2016 relacionada a fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Na ocasião, a PF identificou um grupo que recrutava professores e estudantes para realizar provas e repassar respostas por meio de dispositivos eletrônicos a candidatos que pagavam pelo serviço. A investigação envolveu três estados e terminou com a prisão de integrantes da organização.
As investigações da Operação Canudo continuam. A Polícia Federal busca identificar outras pessoas que possam ter participado do esquema, além de possíveis compradores ou usuários dos documentos falsificados.
Os investigados poderão responder por crimes relacionados à falsificação e uso de documentos, entre outros delitos que eventualmente sejam identificados durante o avanço das apurações.
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