Mariano França explica como eram construídas as tradicionais casas dos Geraizeiros nos Gerais do Rio Preto

Por Revista Formosa
Muito antes da chegada dos materiais industrializados e das técnicas modernas de construção, os moradores dos Gerais do Rio Preto, no oeste da Bahia, erguiam suas casas utilizando os recursos oferecidos pela natureza e o conhecimento transmitido de geração em geração.
O pesquisador e conhecedor da cultura geraizeira Mariano França relembra como esse processo exigia esforço, habilidade e cooperação entre as famílias.
Segundo Mariano França, construir uma casa naquela época era uma tarefa simples em sua concepção, mas extremamente trabalhosa.
Todo o processo era realizado de forma manual, desde a retirada da madeira nas matas e capões até o transporte dos materiais, que, na maioria das vezes, era feito nas costas, devido à inexistência de estradas e de meios de transporte.
Uma das etapas mais difíceis da construção era a obtenção das palhas de buriti, utilizadas na cobertura das casas. Os trabalhadores precisavam escalar grandes palmeiras para cortar as folhas, enfrentando riscos e muito esforço físico.
Além do buriti, também eram utilizadas as palhas do cocô Caculé e do cocô Passava, materiais que garantiam resistência e proteção ao telhado.
Mariano explica que, antes da cobertura, a primeira etapa da construção era a instalação das forquilhas, que formavam a estrutura principal da casa. Em seguida, iniciava-se a montagem do telhado, considerada uma das fases mais importantes da obra.
Nesta primeira reportagem, o destaque é justamente a construção do telhado das antigas casas geraizeiras, uma técnica que revela a criatividade, o conhecimento tradicional e a relação de respeito do povo geraizeiro com o ambiente dos Gerais do Rio Preto.
Nas próximas matérias, serão apresentadas as demais etapas da construção dessas moradias, preservando a memória e valorizando a história de um povo que fez da simplicidade, da união e do trabalho a base de sua cultura.
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