Banco Master pagou R$ 33 milhões a ex-diretora ligada a Gilmar Mendes, aponta PF

Por Revista Formosa
Documentos de uma auditoria interna realizada pelo Banco Regional de Brasília (BRB) e apreendidos pela Polícia Federal apontam que o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, pagou R$ 33 milhões, em 2024, ao escritório Alves Corrêa, da advogada Dalide Corrêa.
As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (17).
Dalide Corrêa já ocupou o cargo de diretora do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), instituição fundada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo os documentos, o pagamento chamou a atenção dentro de uma auditoria que analisou os gastos do banco com serviços jurídicos.
Master gastou R$ 215 milhões com escritórios
De acordo com o material localizado pela PF, o Banco Master desembolsou R$ 215 milhões com escritórios de advocacia em 2024. O valor representa um aumento expressivo em relação aos R$ 76 milhões registrados no ano anterior.
Entre os maiores pagamentos identificados estão os R$ 40 milhões destinados ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e os R$ 33 milhões pagos ao escritório Alves Corrêa, de Dalide Corrêa.
A auditoria apontou que era necessário compreender qual seria o padrão considerado habitual para despesas jurídicas e qual impacto esses valores poderiam representar nas contas do banco. Segundo o documento, a administração do Master não havia informado qual seria o patamar usual desse tipo de gasto.
Advogada foi citada como "canal direto com o STF"
Além dos registros financeiros, a Polícia Federal encontrou conversas entre executivos do Banco Master nas quais Dalide Corrêa é mencionada.
Em uma das mensagens, o diretor financeiro do banco, Ângelo Ribeiro, orienta Alberto Félix, superintendente executivo de Tesouraria, a efetuar um pagamento ao escritório da advogada. Na conversa, a despesa é descrita como relacionada a um "canal direto com o STF".
Apesar da referência encontrada nas mensagens, os diálogos não citam Gilmar Mendes nem outro ministro do Supremo em relação ao pagamento.
A PF também não apontou, até o momento, conclusão sobre eventual irregularidade na prestação dos serviços jurídicos contratados pelo Master. Os documentos continuam sendo analisados pelos investigadores.
Dalide Corrêa nega atuação no STF pelo Master
Em manifestação divulgada após a revelação dos documentos, Dalide Corrêa negou ter atuado para o Banco Master no Supremo Tribunal Federal.
A advogada afirmou que não procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relacionados ao banco.
Segundo sua versão, seu trabalho esteve restrito a processos judiciais que já eram conduzidos para empresas que venderam créditos ao Master e que posteriormente foram sucedidas pela instituição financeira nas ações.
Ainda de acordo com a defesa, esses processos tramitaram em primeira e segunda instâncias, e não no STF.
Relação com Gilmar Mendes
Dalide Corrêa foi diretora do IDP, instituição fundada por Gilmar Mendes.
Os dois se afastaram em 2017, após desentendimentos relacionados à administração da instituição.
Procurado por meio da assessoria do Supremo, Gilmar Mendes não comentou os documentos.
Pagamento ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes
A mesma auditoria também registrou um pagamento de R$ 40 milhões ao escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Os contratos e pagamentos envolvendo escritórios ligados a pessoas próximas a integrantes do STF passaram a ser analisados no contexto das investigações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro.
O caso faz parte de um conjunto maior de documentos e informações que vieram a público após o levantamento de sigilo de materiais relacionados às investigações do Banco Master.
O STF liberou, em setembro, 25,3 GB de documentos, vídeos e áudios relacionados a diferentes procedimentos envolvendo o caso.
