Justiça mantém prisão de médico suspeito de envolvimento em sequestro e tortura em Barreiras

Por Revista Formosa
Rodrigo Costa Brandão e outros dois investigados passaram por audiência de custódia na quinta-feira (3), em Barreiras, no oeste da Bahia. Segundo a investigação, o médico teria participado diretamente das agressões e estava encapuzado durante a violência.
A Justiça manteve a prisão temporária do médico ginecologista Rodrigo Costa Brandão, investigado por suposta participação em um caso de sequestro, tortura e estupro de um homem de 27 anos na Bahia. A decisão foi tomada após audiência de custódia realizada na quinta-feira (3), em Barreiras.
O médico foi preso no âmbito da Operação Emboscada, deflagrada pela Polícia Civil. Além dele, Hayra Haianne Queiroz e Adilson Rodrigues Macedo Silva também foram presos. Os três passaram por audiência de custódia e permanecem detidos.
Segundo as informações reunidas pela investigação, Rodrigo teria planejado a ação e recorrido a outras pessoas para atrair e sequestrar a vítima, que trabalhava como motorista de aplicativo. A suspeita é de que Hayra tenha solicitado uma corrida para fazer com que o homem fosse até o local onde acabou sendo capturado.
Vítima teria permanecido em cativeiro por quase duas horas
De acordo com a investigação, o homem permaneceu por aproximadamente duas horas em um cativeiro. Durante esse período, teria sido submetido a agressões físicas e violência sexual.
A apuração aponta ainda que Rodrigo teria participado diretamente das agressões, utilizando um capuz para esconder o rosto. Posteriormente, Adilson e um quarto suspeito, que ainda não foi localizado, também teriam participado das agressões contra a vítima.
Depois da violência, o homem teria sido abandonado sem roupas em uma estrada na região de Catolândia, no oeste da Bahia.

Investigação começou após ocorrência registrada em 2025
A Polícia Civil informou que o caso começou a ser investigado depois que a vítima registrou uma ocorrência em setembro de 2025.
Os investigadores analisaram imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas, deslocamentos dos envolvidos e elementos obtidos por meio de exames periciais.
Durante a operação, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em quatro endereços relacionados aos investigados. Dispositivos eletrônicos e outros materiais recolhidos durante as diligências serão analisados para auxiliar na investigação.
Os envolvidos são investigados por crimes como sequestro, tortura, estupro, lesão corporal grave e dano qualificado.
Relação entre médico e vítima
Conforme a linha de investigação, Rodrigo mantinha um relacionamento com a vítima. O homem tinha 27 anos na época dos fatos, trabalhava como motorista de aplicativo e havia se formado em medicina no Paraguai.
A principal hipótese investigada pela polícia é de que o crime tenha sido planejado após o encerramento do relacionamento. A suspeita é de que o médico tenha contratado outras pessoas para participar da execução da ação.
A eventual participação de cada um dos investigados e as circunstâncias que motivaram o crime ainda são apuradas pelas autoridades.
O que diz a defesa de Rodrigo Brandão
Em nota, o escritório Dourivaldo Aquino Advogados Associados, responsável pela defesa de Rodrigo Costa Brandão, afirmou que a prisão é temporária e possui caráter cautelar e provisório, não representando condenação ou declaração de culpa.
A defesa declarou que ainda não teve acesso à totalidade dos elementos da investigação e destacou que o processo tramita sob segredo de Justiça. Segundo os advogados, o acesso aos autos é necessário para uma análise técnica dos fatos e da decisão judicial.
O escritório informou que, após ter acesso ao conteúdo já documentado da investigação, adotará as medidas judiciais consideradas cabíveis.
A defesa também ressaltou a necessidade de preservação da presunção de inocência, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
O que diz a defesa de Adilson
A defesa de Adilson Rodrigues Macedo Silva também informou que aguarda acesso integral aos autos da investigação.
Segundo o advogado Felipe Amorim Antunes Santos, a prisão temporária foi decretada pelo período de 30 dias. Por orientação da defesa, o investigado deverá exercer o direito ao silêncio até que os advogados tenham acesso completo aos elementos reunidos pela polícia.
O que diz a defesa de Hayra
A reportagem procurou a defesa de Hayra Haianne Queiroz para obter um posicionamento sobre a prisão.
Até a última atualização desta matéria, porém, a defesa ainda não havia encaminhado uma manifestação.
A investigação permanece em andamento. Os suspeitos não foram condenados e têm direito à presunção de inocência e à ampla defesa durante o processo.
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