Fim das bets pode retirar R$ 2,6 bilhões do esporte até 2027 e afetar ciclo olímpico

04/10/2026
Nova Logo do Comitê Olímpico Brasileiro - Foto: Esporte News Mundo
Nova Logo do Comitê Olímpico Brasileiro - Foto: Esporte News Mundo

Por Revista Formosa

A proibição das apostas de quota fixa no Brasil poderá provocar uma redução estimada em R$ 2,623 bilhões nos recursos destinados ao esporte até o fim de 2027. O impacto ocorre em um momento importante para a preparação brasileira para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

A estimativa considera aproximadamente R$ 497 milhões que deixariam de ser direcionados ao esporte nos últimos meses de 2026, além de cerca de R$ 2,1 bilhões previstos para 2027. O cálculo não leva em conta eventuais perdas adicionais de patrocínios contratados diretamente entre empresas de apostas e entidades esportivas.

A mudança está relacionada à Medida Provisória 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, que determinou o encerramento das operações de apostas de quota fixa no país. A justificativa apresentada pelo governo é combater o endividamento e proteger as famílias brasileiras. A MP ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para permanecer válida de forma definitiva.

COB prevê perda de até R$ 130 milhões

Entre as entidades diretamente afetadas está o Comitê Olímpico do Brasil (COB). A instituição estima deixar de receber entre R$ 125 milhões e R$ 130 milhões em 2027, valor equivalente a aproximadamente 20% de seu orçamento anual, estimado em R$ 600 milhões.

Para preservar a preparação dos atletas para Los Angeles, o COB pretende recorrer ao fundo de reserva e reduzir despesas. A entidade também avalia congelar valores destinados às confederações e adiar projetos que estavam previstos para os próximos anos.

A prioridade, segundo o comitê, será manter os investimentos relacionados à preparação olímpica, embora outras iniciativas possam ser revistas diante da redução das receitas.

Modalidades também serão afetadas

O impacto não ficará restrito ao COB. Confederações e outras organizações esportivas também dependiam dos recursos provenientes das apostas.

A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) recebeu R$ 13 milhões em recursos das bets em 2025 e aproximadamente R$ 6 milhões em 2026. No tênis de mesa, cerca de R$ 5 milhões haviam sido acumulados desde abril de 2025 para projetos de formação e alto rendimento.

No esporte paralímpico, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) arrecadou R$ 57,4 milhões em 2025 e outros R$ 54,1 milhões até setembro de 2026. Para 2027, a estimativa é de uma redução de aproximadamente R$ 82,1 milhões.

O Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) calcula perdas próximas de R$ 50 milhões.

Recursos eram previstos em lei

Antes da mudança, a legislação estabelecia que parte da arrecadação das apostas fosse direcionada ao esporte. Pela Lei nº 14.790/2023, 36% da arrecadação tinha destinação relacionada ao setor esportivo, distribuída entre diferentes entidades e órgãos.

Com o fim desse fluxo de recursos, as instituições esportivas precisarão rever seus planejamentos financeiros. A principal preocupação está na manutenção de projetos de formação, alto rendimento, infraestrutura e preparação de atletas.

A redução das receitas acontece justamente durante a preparação para Los Angeles 2028, aumentando a necessidade de utilização de reservas e de revisão de projetos para os próximos anos.

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