Eleitorado 60+ cresce e se torna decisivo

Por Revista Formosa
No estado da Bahia, dos 11.321.005 eleitores aptos a votar nesta eleição, 2.440.295 são pessoas com mais de 60 anos, ou seja, 21,56% do eleitorado. Essa faixa respondia a 19,77% dos eleitores nas últimas eleições gerais, em 2022.
No Brasil, a porcentagem de eleitores 60+ é de 23%, formando este ano o maior eleitorado idoso registrado no país, somando 36,8 milhões de pessoas.
Ainda conforme os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), desde 2010 o número de idosos com o título de eleitor ativo cresceu cerca de 74%. No mesmo período, o número geral de eleitores aumentou apenas 15%.
O dado reverbera o crescimento de pessoas idosas entre a população, como reflexo do fenômeno global de transição demográfica e envelhecimento da população que está em curso no planeta.
Dentre outros fatores, impactam nos resultados as menores taxas de fecundidade e o aumento da expectativa de vida das pessoas por causa dos avanços da medicina e de transformações socioeconômicas.
Morador de Salvador, 98 anos, o escritor José Paes Landim diz que nunca perdeu uma eleição, embora não tenha mais essa obrigação há 28 anos.
"Continuarei a fazê-lo com o maior prazer este ano, ou seja, em outubro próximo, sufragando na urna os candidatos em quem veja maiores condições de honrar seus mandatos", pontua.
Landim nasceu em Santa Rita de Cássia, cresceu em Formosa do Rio Preto, ambos municípios do extremo oeste baiano. Aos 18 anos, partiu para Belo Horizonte (MG) em busca da realização dos sonhos. Estudou e viveu algumas experiências profissionais até ingressar no Banco do Brasil, através de concurso, vindo para Salvador trabalhar pela instituição.
Ele, que fez história por ter participado do grupo inicial para a formação do Banco Central do Brasil, pondera que, graças à maturidade e conhecimentos obtidos durante a vida, o voto do idoso pode ter mais qualidade.
"Considerando-se que, do ponto de vista cognitivo, ao invés de envelhecimento, passamos a nos sentir mais jovens e, como tal, com maior capacidade de avaliação dos valores", explica.
Membro da Academia Santarritense de Letras (ASL), José é autor de três livros, tem participação como articulista de A TARDE, defendendo sempre a ética como indispensável característica dos agentes públicos.
Sobre a participação dos idosos no processo eleitoral, ressalta que:
"Na consciência política, tem o país um dos maiores ganhos, tendo-se em vista a importância do voto na democracia."
Mapa
O quadro com os 10 maiores colégios eleitorais do estado revela que Itabuna, com 24,80%, e Ilhéus, com 24,27% de eleitores 60+, têm índices superiores aos do estado (21,56%) e do Brasil (23%).
Na outra ponta, com 15,80% de eleitores com mais de 60 anos, Porto Seguro tem o menor índice, seguido de Camaçari, com 16,65% de idosos votantes.
Ainda no universo das cidades com maior número de eleitores na Bahia, observa-se que Juazeiro e Lauro de Freitas, com 164.778 e 162.989 eleitores, respectivamente, e que ocupam o 5º e 6º lugares neste ranking, têm menos eleitores 60+ que Itabuna e Ilhéus, que ocupam a 7ª e 8ª colocação e têm 141.218 e 129.771 eleitores, respectivamente.
As duas cidades da região Sul têm 34.911 e 31.489 eleitores com mais de 60 anos, e ocupam o 5º e 6º lugar entre os municípios com mais idosos votantes. Estão na frente de Juazeiro e Lauro de Freitas, que, no ranking dos eleitores 60+, estão na 7ª e 8ª colocação.
Municípios com mais eleitores 60+
1º Salvador — 450.917 (28,1%) têm mais de 60 anos
2º Feira de Santana — 87.725 (20,19%) têm mais de 60 anos
3º Vitória da Conquista — 54.759 (22,26%) têm mais de 60 anos
4º Camaçari — 35.019 (16,65%) têm mais de 60 anos
Município mais populoso do estado, Salvador concentra o maior número de eleitores públicos com mais de 60 anos, somando 450.917 pessoas nesta condição, entre seus 1.951.716 eleitores habilitados a votar neste pleito.
Os eleitores idosos da capital seguem a mesma proporcionalidade do Brasil, representando 21,10% dos votantes.
Segundo município mais populoso do estado, Feira de Santana ocupa a mesma posição em número de eleitores totais (434.532) e de eleitores 60+ (87.726). Na sequência, Vitória da Conquista é o terceiro colocado, com eleitorado de 264.091 pessoas e 54.759 eleitores 60+.
Passe Livre
Na cidade do sudoeste, entre as principais demandas dos moradores com mais de 60 anos estão o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), orientações para emissão da Carteira da Pessoa Idosa e do Passe Livre e inclusão/atualização no Cadastro Único.
Além do CRAS e do CREAS, o Centro de Convivência da Pessoa Idosa (CCI) promove ações contínuas voltadas para este público.
"A experiência das equipes que atuam nos serviços demonstra que a população idosa acompanha com interesse as discussões políticas e valoriza o exercício da cidadania", afirma a diretora de Assistência Social da Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação Social e Direitos Humanos (SASHDS), Irtane Gomes.
Ela salienta que, nas conversas informais, mesmo entre aqueles para quem o voto é facultativo, "é comum observar o desejo de participar das eleições e contribuir, por meio do voto, para as decisões que impactam a sociedade".
Camaçari tem 210.364 eleitores, dos quais 35.019 têm mais de 60 anos e ocupa a quarta colocação em número total de eleitores e de pessoas 60+. Tem como um dos programas voltados aos idosos o Centro de Convivência da Pessoa Idosa (Conviver), com oferta de diversos projetos visando qualidade de vida e saúde.
Com 118.969 eleitores no total, Jequié está em 9º lugar entre os municípios com mais eleitores e em número de idosos votantes, com 26.455 pessoas aptas a votar. Na 10ª colocação está Porto Seguro, que, entre os 115.310 eleitores, tem 18.210 eleitores 60+.
De um modo geral, com maior experiência de vida, este público tem algumas preocupações centrais, como políticas públicas, saúde e previdência com estabilidade de renda.
SUS
Conforme a terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (ELSI-Brasil), 75,3% dos brasileiros idosos dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). Realizado em parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o estudo foi apresentado em maio.
O levantamento apontou, ainda, que 42,7% dos idosos que moram em áreas urbanas afirmam ter medo de quedas em lugares públicos, como calçadas e passeios irregulares. A preocupação chega a 50,5% entre as mulheres 60+, com aumento gradual nos índices com o avançar da idade.
Com papel relevante para o fortalecimento da democracia, boa parte das pessoas idosas ainda faz questão de marcar presença nas seções eleitorais, para ter o sentimento de participação no processo de escolha dos seus representantes políticos.
De acordo com a secretária de Planejamento, Estratégia, Inovação e de Eleições do TRE-BA, Luciana Bichara, as estatísticas das últimas eleições revelam que a participação é alta entre as pessoas idosas cujo voto ainda é obrigatório, entre 60 e 79 anos.
"Nas Eleições Municipais de 2024, o comparecimento foi de 88,92% entre os eleitores de 60 a 64 anos e de 85,43% entre aqueles de 65 a 69 anos", apontou.
A partir dos 70 anos, quando o voto se torna facultativo, observa-se uma queda no comparecimento.
Há quatro anos, os eleitores entre 70 a 74 anos tiveram presença de 71,91% nas seções eleitorais, enquanto aqueles entre 75 a 79 anos registraram 59,73% de comparecimento.
Já o público de 80 a 84 anos teve 48,97% de presença; de 85 a 89 anos, 37,85%; entre os de 90 a 94 anos, 25,90% de participação. Idosos de 95 a 99 anos tiveram 17,78% de participação, taxa que chegou a 12,94% entre aqueles com 100 anos ou mais.
"Esses números indicam que, embora o avanço da idade naturalmente imponha desafios à saúde, mobilidade e ao deslocamento, milhares de pessoas continuam comparecendo às urnas por decisão própria", afirmou Luciana, acrescentando que esse público reafirma nas eleições seu compromisso com a democracia.
Fonte: A Tarde
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