Conta de luz deve ficar mais cara nos próximos meses

Por Revista Formosa
Após um período prolongado sob bandeira verde, os consumidores brasileiros já começam a perceber o aumento na tarifa de energia elétrica com o retorno da bandeira amarela em maio, definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Especialistas do setor alertam que o cenário pode se agravar ao longo de 2026, com possibilidade de acionamento da bandeira vermelha em diferentes patamares.
A mudança no sistema tarifário está relacionada ao fim do período chuvoso e à influência de fenômenos climáticos como o El Niño, que tende a reduzir as chuvas em regiões como Norte e Nordeste.
Esse fator afeta diretamente os níveis dos reservatórios de água, essenciais para a geração hidrelétrica.
De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), o subsistema Sudeste/Centro-Oeste — responsável pela maior parte do consumo de energia do país — opera com cerca de 65,62% de sua capacidade de armazenamento.
Já a região Sul apresenta situação mais preocupante, com níveis próximos de 46,40%.
Possível retorno da bandeira vermelha
Projeções do economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano, indicam que o país pode entrar em bandeira vermelha patamar 1 já em junho, com agravamento para o patamar 2 entre julho e setembro.
Em seguida, haveria nova redução para o patamar 1 em outubro, e possível retorno da bandeira amarela no fim do ano.
Na prática, isso representa cobranças adicionais na fatura de energia, com estimativa de aumento médio na conta de luz.
Segundo o economista, o impacto pode chegar a cerca de 9% ao longo de 2026, influenciando também a inflação.
Uso de termelétricas pressiona custos
Com a redução das chuvas, o governo tem ampliado o acionamento de usinas termelétricas para garantir o fornecimento de energia.
Apesar de essenciais para a segurança do sistema, essas usinas possuem custo mais alto de operação, o que acaba refletindo nas tarifas pagas pelos consumidores.
O Ministério de Minas e Energia afirma que esse acionamento é necessário para preservar os reservatórios e manter a estabilidade do sistema elétrico.
Especialistas, no entanto, destacam que a formação do preço da energia também é influenciada pelo modelo de cálculo adotado no setor, o que pode manter tarifas elevadas mesmo em períodos de oferta adequada.
Sistema com sobra de energia e cortes na produção
Apesar da pressão sobre os preços, estudos apontam que o sistema elétrico brasileiro enfrenta atualmente um cenário de sobra de energia.
Em alguns momentos, o Operador Nacional do Sistema precisa até reduzir a geração de fontes renováveis, como solar e eólica, para evitar sobrecarga.
Relatórios do setor indicam que uma parte significativa dessa energia deixou de ser aproveitada no último ano, gerando perdas financeiras para empresas do segmento.
Impacto no bolso do consumidor
O aumento da energia elétrica já aparece entre os principais fatores de pressão inflacionária.
Dados do IBGE mostram que a tarifa residencial registrou alta superior a 12% em 2025, sendo um dos itens que mais influenciaram o índice de inflação.
Diante desse cenário, o governo tem buscado medidas de compensação, como descontos financiados por recursos da Usina de Itaipu, para tentar reduzir o impacto no orçamento das famílias.
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