China anuncia tarifa de 55% e EUA confirmam taxa de 25%; entenda o impacto para o Brasil

Por Revista Formosa
O Brasil enfrenta um novo cenário no comércio internacional após duas decisões anunciadas por seus principais parceiros comerciais.
A China confirmou que aplicará uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina importada que ultrapassar as cotas estabelecidas, enquanto os Estados Unidos oficializaram uma taxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Apesar das medidas, os impactos são diferentes em cada mercado.
China anuncia tarifa de 55%
No caso da China, o Ministério do Comércio informou que a tarifa adicional de 55% entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027 e terá validade inicial de três anos. A cobrança será aplicada apenas sobre os embarques de carne bovina que excederem as cotas anuais de importação.
Para 2027, a cota global foi fixada em 2,7 milhões de toneladas, sendo o Brasil o principal beneficiado, com 41,1% desse volume. Em seguida aparecem Argentina (19,0%) e Uruguai (12,1%). O governo chinês informou ainda que a cota aumentará gradualmente até atingir 2,8 milhões de toneladas em 2028.
A China é atualmente o maior comprador da carne bovina brasileira. Em 2024, o país asiático importou cerca de 1,34 milhão de toneladas do produto vindo do Brasil.
Segundo o governo chinês, a medida busca proteger os pecuaristas locais, que enfrentam prejuízos desde 2023 em razão do excesso de oferta no mercado interno. Associações do setor vinham pressionando Pequim por medidas para reduzir os efeitos das importações sobre os preços pagos aos produtores.
EUA confirmam taxa de 25%
Já os Estados Unidos anunciaram a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial (USTR) e confirmaram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.
A decisão, autorizada pelo presidente Donald Trump, entra em vigor em 22 de julho.
A nova cobrança alcança produtos como etanol, máquinas agrícolas, roupas, calçados e materiais elétricos.
Segundo o governo americano, a medida foi adotada após a investigação apontar supostas práticas comerciais consideradas desleais, envolvendo temas como o funcionamento do Pix, acesso ao mercado de etanol, decisões judiciais relacionadas a plataformas digitais, além de questões ligadas ao combate à corrupção e ao desmatamento.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a decisão busca proteger empresas e trabalhadores americanos e que, apesar das divergências, Washington continua aberto ao diálogo com o governo brasileiro.
Diferentemente da decisão chinesa, a carne bovina brasileira ficou fora da lista de produtos atingidos pela tarifa americana, assim como café, laranja e suco de laranja.
Governo brasileiro reage
Em resposta, o governo brasileiro classificou a decisão dos Estados Unidos como um retrocesso nas relações comerciais entre os dois países. O Palácio do Planalto informou que pretende aplicar a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, além de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Antes mesmo da confirmação das tarifas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia sinalizado que o Brasil poderia adotar medidas equivalentes caso o tarifaço fosse oficializado.
Em relação à decisão da China de impor uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina que exceder as cotas de importação, o governo brasileiro não se pronunciou oficialmente até o momento.
Qual o impacto para o Brasil?
As duas medidas afetam setores diferentes da economia brasileira.
No mercado chinês, o principal impacto recairá sobre eventuais exportações de carne bovina que ultrapassem as cotas estabelecidas, enquanto os embarques dentro do limite continuarão seguindo as regras atuais.
Já nos Estados Unidos, o efeito será sentido por empresas exportadoras dos produtos incluídos na nova lista de tarifas. Por outro lado, importantes itens da pauta exportadora brasileira, como carne bovina, café, laranja e suco de laranja, permaneceram isentos da cobrança adicional.
Com isso, o Brasil passa a enfrentar um ambiente comercial mais desafiador em dois dos seus maiores mercados internacionais, exigindo atenção do governo e do setor produtivo para minimizar os impactos sobre as exportações e preservar a competitividade dos produtos brasileiros.

Siga a Revista Formosa no Instagram. Nosso canal no WhatsApp e esteja sempre atualizado! Receba as últimas notícias da Revista Formosa no Google News.
