Bolandeira: a força que moveu gerações na zona rural de Formosa do Rio Preto

Por Mariano França – Colunista da Revista Formosa
Muito antes da mecanização chegar ao campo, a produção de farinha em Formosa do Rio Preto/BA dependia de um instrumento simples, porém essencial: a bolandeira.
Presente em praticamente todas as comunidades rurais do município, ela foi, por décadas, peça-chave no processo de transformação da mandioca em farinha — alimento base na mesa de muitas famílias do oeste baiano.
Relatos de moradores mais antigos indicam que, já na década de 1940, a bolandeira fazia parte da rotina agrícola da região.
Era com ela que a mandioca era ralada, dando início às chamadas "desmanchas" — períodos intensos de trabalho coletivo que podiam durar até dois meses, reunindo famílias inteiras em torno da produção.
Além de exigir esforço físico, a atividade também fortalecia os laços comunitários. Em muitos casos, grupos de até quatro homens se revezavam para puxar a bolandeira, enquanto também atuavam como "roncadores", responsáveis por alimentar o equipamento com a mandioca.
O trabalho era pesado, mas marcado por cooperação e tradição.
Nomes como Eliodório, ao lado dos filhos Joaquim e Eli Tiago, ficaram conhecidos por realizar grandes desmanchas ao longo dos anos.
O mesmo aconteceu em diversas localidades da zona rural, como São Marcelo, onde produtores como Alípio Dias, Veríssimo Barbosa e Louro Bachão mantinham a prática viva.
Outras comunidades, como Mato Fino, Cacimbinha, Ouro, Fazenda Aldeia e Arroz, também foram palco dessa tradição, com figuras como Zé Mareca, Domingos Velho, Dona Rita, Agamenon Magalhães e Zé de Gizinha.
Na década de 1990, a bolandeira ainda resistia ao avanço das máquinas.
Há quem se recorde de ter participado dessas atividades, como nas desmanchas realizadas na Fazenda Santa Rosa e na região de São Marcelo — experiências que hoje vivem na memória afetiva de quem presenciou aquele modo de vida.
Com o passar do tempo e a modernização das técnicas agrícolas, a bolandeira foi sendo substituída por equipamentos mais eficientes.
Ainda assim, sua importância permanece viva na história local. Mais do que uma ferramenta, ela simboliza uma época de trabalho coletivo, resistência e identidade cultural.
Hoje, restam as lembranças de um tempo em que o som da bolandeira ecoava pelas comunidades rurais, marcando o ritmo da produção e da convivência.
Um legado que segue presente na memória de gerações e na construção da história de Formosa do Rio Preto.
@revista.formosa Formosa do Rio Preto - Bahia O som começava antes do sol nascer. Um rangido forte, repetitivo, que atravessava o silêncio da roça e avisava: tinha desmancha acontecendo. Quatro homens se revezavam na força do braço. Um puxava, outro alimentava, outro controlava. E assim, por semanas — às vezes meses — a bolandeira não parava. Muito antes de qualquer máquina, era ela que transformava mandioca em farinha e reunia famílias inteiras em torno de um trabalho que misturava cansaço, comida e conversa. Matéria Completa: https://www.revistaformosa.com/l/bolandeira-a-forca-que-moveu-geracoes-na-zona-rural-de-formosa/
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