Pornografia infantil dispara na Bahia impulsionada pelas redes sociais

25/06/2026
Imagem/Metropoles
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Por Revista Formosa

O avanço das redes sociais e dos aplicativos de mensagens tem ampliado os desafios no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes na Bahia. Dados da Polícia Civil apontam um crescimento expressivo nos registros de divulgação de cenas de estupro de vulnerável, nudez e pornografia infantil no estado nos últimos anos.

Segundo as estatísticas, os casos saltaram de 267 ocorrências em 2022 para 712 em 2025, um aumento de aproximadamente 166% em três anos. Apenas entre janeiro e abril de 2026, o número de registros já se aproximou do total contabilizado durante todo o ano de 2022, evidenciando a escalada desse tipo de crime.

Estudante é preso em Salvador

Um dos casos recentes ocorreu em maio deste ano, quando um estudante de Jornalismo, de 27 anos, foi preso no bairro de Brotas, em Salvador. A investigação teve início após denúncias encaminhadas pelo Esporte Clube Bahia à Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes contra a Criança e o Adolescente (Dercca).

De acordo com a polícia, o suspeito utilizava as redes sociais para se apresentar como fotógrafo e se aproximar de adolescentes entre 14 e 17 anos. As investigações apontaram a produção e o armazenamento de imagens envolvendo nudez de menores. Pelo menos quatro vítimas foram identificadas e confirmaram os fatos aos investigadores.

As autoridades informaram que parte do material era produzida nas proximidades do centro de treinamento do clube, localizado em Dias d'Ávila.

Operação nacional teve prisões na Bahia

O estado também esteve entre os alvos da Operação Caminhos Seguros, ação nacional realizada entre os dias 5 e 18 de maio para combater crimes sexuais contra crianças e adolescentes.

Na Bahia, a operação resultou em 24 prisões em 14 municípios, além do cumprimento de 39 mandados de busca e apreensão. Durante as diligências, foram recolhidos 33 dispositivos eletrônicos contendo arquivos relacionados à pornografia infantojuvenil.

A força-tarefa ainda instaurou 56 inquéritos, concluiu 54 investigações com identificação dos autores e registrou 271 boletins de ocorrência. Ao todo, 26 vítimas receberam atendimento, enquanto 12 denúncias foram apuradas e 19 locais monitorados pelas equipes.

As investigações revelaram que muitos suspeitos utilizavam plataformas digitais para atrair crianças e adolescentes, solicitar imagens íntimas ou marcar encontros presenciais. Em um dos casos apurados, um investigado mantinha cerca de 2,7 mil arquivos envolvendo menores de idade.

Tecnologia facilita ação de criminosos

Especialistas alertam que o aumento dos registros está ligado tanto à maior utilização da internet quanto ao crescimento das denúncias, que ajudam a identificar criminosos e desarticular redes de exploração.

Para a advogada criminalista Milena Pinheiro, o problema já existia antes da popularização das redes sociais, mas a velocidade da comunicação digital ampliou o alcance desses crimes.

Ela destaca que o debate público sobre o tema em escolas, comunidades, programas de televisão e outros espaços contribui para que pais, responsáveis e vítimas reconheçam situações de risco e procurem ajuda. A especialista também defende maior responsabilização das plataformas digitais na prevenção e remoção desse tipo de conteúdo.

Denúncias são fundamentais

Dados do Ministério Público da Bahia mostram que, entre 2021 e 2025, foram registradas 6.014 denúncias de estupro de vulnerável no estado. Somente em 2026, já são 726 ocorrências contabilizadas.

O promotor de Justiça Moacir Nascimento Júnior ressalta que, embora os crimes ocorram em ambiente virtual, sempre existe uma pessoa por trás dos dispositivos eletrônicos, o que permite a investigação e a responsabilização dos autores.

Segundo ele, a integração entre Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público tem sido essencial para aumentar a eficiência das ações de combate à exploração sexual infantil. O promotor também defende investimentos em tecnologia, equipes especializadas e mecanismos mais eficazes de moderação e identificação de usuários nas plataformas digitais.

Autoridades reforçam que denúncias podem ser feitas de forma anônima e desempenham papel decisivo na identificação de vítimas, na prisão de suspeitos e no desmonte de redes criminosas que atuam contra crianças e adolescentes.

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