Por que os Estados Unidos miram a Groenlândia? Veja os principais motivos

Por Revista Formosa
Nas últimas semanas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender publicamente a ideia de incorporar a Groenlândia — território autônomo ligado à Dinamarca — ao território norte-americano.
Embora o tema tenha ganhado força recentemente, a discussão já circulava em Washington antes mesmo da posse do republicano neste ano. Por trás da proposta estão interesses estratégicos, militares e econômicos.
De forma geral, o valor da Groenlândia para os EUA vai muito além de suas riquezas naturais. A ilha ocupa uma posição considerada sensível para a segurança internacional, localizada em um dos pontos mais estratégicos do Atlântico Norte.
Situada no Ártico, entre a América do Norte, a Europa e a Rússia, a região é vista como essencial para a defesa do continente americano.
Especialistas destacam que o Ártico concentra rotas mais curtas para o deslocamento de mísseis e aeronaves entre Estados Unidos, Rússia e países da Ásia.
Atualmente, os norte-americanos mantêm no noroeste da ilha a Base Espacial de Pituffik, considerada um dos principais centros de alerta antecipado contra ataques com mísseis balísticos vindos de territórios russos e asiáticos.
A instalação integra o sistema de defesa antimísseis e de monitoramento espacial dos EUA. Sem a Groenlândia, analistas avaliam que o país ficaria mais vulnerável no flanco norte.
Outro fator que pesa é o avanço de potências rivais na região. Com o derretimento das calotas polares e a possível abertura de novas rotas marítimas, Rússia e China têm ampliado sua presença militar e econômica no Ártico.
Nesse cenário, a Groenlândia é vista por Washington como um ponto-chave para frear a influência desses países.
Há ainda interesses econômicos relevantes. A ilha abriga grandes reservas de minerais considerados estratégicos, incluindo terras raras, além de potencial para exploração de petróleo e gás sob as camadas de gelo.
Estima-se que a Groenlândia possua pelo menos 25 dos 34 minerais classificados como críticos para a indústria moderna e para o setor de defesa.
Como a China concentra boa parte das reservas globais desses recursos, os EUA veem vantagem em reduzir essa dependência.
Resistência à proposta
Apesar das declarações do presidente norte-americano, tanto o governo dinamarquês quanto as autoridades locais da Groenlândia rejeitam qualquer possibilidade de anexação. A posição oficial é clara: a ilha não está à venda.
Em 2019, Trump já havia manifestado interesse em comprar o território e chegou a discutir a ideia com seus assessores. Neste novo mandato, no entanto, o discurso se tornou mais incisivo.
O presidente chegou a indicar o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para tratar do tema.
Embora a Casa Branca afirme priorizar soluções diplomáticas, Trump não descartou medidas mais duras. Em declaração recente, afirmou que pretende resolver a questão "de uma forma ou de outra", deixando em aberto até mesmo a possibilidade do uso da força.
"Preferia fazer um acordo, da maneira mais simples. Mas, se não for possível assim, teremos de agir da maneira difícil", declarou o presidente na última sexta-feira (9).
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