Papo-fogo marcou gerações no interior de Formosa do Rio Preto

Por Mariano França – Colunista da Revista Formosa
Muito antes da popularização dos fósforos e isqueiros industriais, moradores do interior de Formosa do Rio Preto, no oeste da Bahia, já dominavam uma técnica própria e engenhosa para produzir fogo: o chamado papo-fogo.
O artefato rudimentar, feito a partir de chifre, algodão e o atrito de uma pedra com um pedaço de facão temperado (fuzile), atravessou décadas como ferramenta essencial no cotidiano sertanejo.
Relatos de antigos moradores indicam que o uso do papo-fogo remonta, pelo menos, ao início do século XX, sendo amplamente utilizado entre os anos de 1900 e 1990.
Há, inclusive, quem acredite que sua origem seja ainda mais antiga. A memória foi preservada por meio da tradição oral, como no caso de histórias contadas por pessoas que viveram esse período, a exemplo de uma moradora nascida em 1919, que relatava a importância do objeto no dia a dia.
Na prática, o papo-fogo funcionava como uma espécie de "isqueiro artesanal". Bastava gerar faísca com o atrito da pedra e do metal para que o algodão inflamasse, permitindo acender fogões a lenha, cigarros e cachimbos — itens comuns na rotina rural da época.
Curiosamente, além de sua função principal, o objeto também era utilizado de forma medicinal. Segundo relatos, a fumaça produzida pelo papo-fogo era inalada por pessoas que sofriam de dor de cabeça, sendo considerada uma espécie de analgésico caseiro.
Diversos moradores da região fizeram uso do instrumento ao longo dos anos, entre eles Pedro Preto, Domingos Velho, Vencerlina, Calista, Damasio, Godêncio, Acir, Miguel de Duninha, Pedro de Cândido, Arlindo e Apolonário, entre tantos outros que ajudaram a manter viva essa tradição.
Para o colunista da Revista Formosa, Mariano França, o papo-fogo carrega uma função prática, e também um forte valor cultural e afetivo. Ele relembra com entusiasmo as vezes em que via alguém acendendo o objeto.
"Eu gostava quando uma pessoa acendia o papo-fogo perto de mim. Queria acender também, mas eles não deixavam", conta. Hoje, ele considera gratificante poder compartilhar essa história com as novas gerações.
@revista.formosa Formosa do Rio Preto - Bahia No interior de Formosa do Rio Preto, um objeto simples carregava múltiplas funções — acendia fogo, cigarros e, curiosamente, era usado até como “remédio”. Conhecido como PAPO-FOGO, o instrumento era feito de chifre, algodão e metal temperado. Com o atrito de uma pedra, produzia faíscas que davam início ao fogo — substituindo fósforos e isqueiros por décadas. Mas o que mais chama atenção não é isso. Segundo relatos de antigos moradores, a fumaça do papo-fogo era inalada por pessoas com dor de cabeça, numa tentativa de aliviar o incômodo — uma prática comum no sertão em tempos de poucos recursos. O Colunista da Revista Formosa, Mariano França lembra bem dessa cena: “Eu gostava quando uma pessoa acendia o papo-fogo perto de mim. Queria acender também, mas eles não deixavam”, conta. O papo-fogo revela como a criatividade e os costumes populares moldaram soluções inesperadas — algumas delas difíceis de imaginar hoje. Mais imagens, vídeo na íntegra e matéria completa: revistaformosa.com #notícias #revistaformosa
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