Opinião: Até quando vamos aceitar o jogo de cartas marcadas em Brasília?

21/10/2026
Foto: Reprodução
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Por Revista Formosa

Olha, chega uma hora em que cansa. Todo santo dia o brasileiro acorda, pega o transporte, trabalha duro e assiste ao mesmo roteiro de sempre: o peso da lei esmagando quem está embaixo enquanto o topo da pirâmide flerta com a impunidade absoluta. A gente vê essa enxurrada de prints, vídeos e áudios que saíram do telefone do Daniel Vorcaro e a sensação que fica é de um estômago embrulhado. É nojo mesmo, não tem outra palavra.

Como é que o cidadão comum vai continuar fingindo que acredita na seriedade das instituições quando quem deveria estar assinando os mandados de prisão aparece bebendo uísque e rindo com o principal investigado em Londres? É de uma esculhambação sem tamanho.

Não dá mais para aceitar nota oficial protocolar de assessoria de imprensa. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi pego numa foto que destrói qualquer verniz de isenção que o cargo dele exigia. Não me importa se era um evento jurídico internacional ou uma mera coincidência. Quem lida com o topo do Ministério Público não pode dar margem para esse tipo de intimidade criminosa enquanto o país pega fogo.

E o que dizer do diretor-geral da Polícia Federal, o Andrei Rodrigues? A corporação sob o comando dele correu para arquivar os áudios que falavam em R$ 30 milhões de propina viva, em espécie, pro documentário do Lula. O argumento de que "não tinha rastro material" é uma piada de mau gosto. Para o cidadão comum, se houver um boato, a polícia bate na porta de madrugada. Para quem está encastelado no Palácio do Planalto, a exigência de prova vira um labirinto burocrático intransponível. Eles se blindam. É escancarado.

A verdade nua e crua é que essas duas figuras perderam qualquer condição moral de tocar esse processo. Eles não têm mais autoridade para investigar ninguém; eles precisam ocupar o banco dos investigados. Andrei Rodrigues e Paulo Gonet viraram parte do problema, e a permanência deles nessas cadeiras é um tapa na cara da sociedade. O rito tradicional da burocracia de Brasília vai tentar empurrar isso com a barriga, claro. Vão falar em ritos, em prazos, em melindres políticos. Mas a resposta tem que ser dura, imediata e cirúrgica. Se as corregedorias não funcionam porque o corporativismo fala mais alto, o Senado Federal e o Supremo Tribunal Federal têm a obrigação de intervir e arrancar essa cúpula dos cargos. Sim, destituição imediata, se necessário por força de um processo político definitivo.

Ninguém aguenta mais esse teatro de compadres. O caso do Banco Master não é uma disputa técnica entre advogados ricos, é o retrato de uma estrutura apodrecida que vaza minutas de decisões antes delas acontecerem e escolhe quem vai cair e quem vai ser poupado. Se a gente quer ter o direito de sonhar com um país onde a justiça seja minimamente igual para todos, o primeiro passo é limpar a chefia de quem aplica a lei. Quem tem fotografia suspeita no exterior ou rascunho de delação engavetado não pode guiar o destino da nossa segurança. Que saiam dos gabinetes para dar explicações como qualquer outro mortal.

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