Mensagens de Vorcaro citam Otto Alencar como “conselheiro”, e senador admite ligações sobre “Emenda Master”

21/09/2026
Divulgação Devid Santana
Divulgação Devid Santana

Por Revista Formosa

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, colocaram o senador baiano Otto Alencar (PSD-BA) no centro de novas informações relacionadas às relações do banqueiro com integrantes da política. 

Segundo reportagens baseadas no material apreendido, Vorcaro se referia a Otto como "conselheiro" e "comandante" em conversas com o advogado Ciro Soares, apontado pela investigação como um intermediário entre os dois.

Os registros indicariam que Ciro Soares mantinha Vorcaro informado sobre contatos com Otto, incluindo o envio de fotografias ao lado do senador e o repasse de mensagens atribuídas ao parlamentar. As conversas também registram tentativas de aproximar os dois e de organizar encontros presenciais em diferentes ocasiões.

Senador admite contatos por telefone

Após a divulgação das mensagens, Otto Alencar confirmou que conversou com Vorcaro por telefone. Em entrevista ao Metrópoles, o senador afirmou que foram duas ou três ligações, realizadas entre o fim de 2024 e o início de 2025, por meio do celular de Ciro Soares, que à época atuava como advogado do banqueiro.

De acordo com Otto, o assunto estava relacionado a uma proposta apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) durante a tramitação da PEC 65/2023. A chamada "Emenda Master" previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por depositante.

O senador afirmou que Vorcaro buscava apoio para a proposta, mas negou ter dado encaminhamento à medida. Otto disse que nunca apresentou ou incluiu a emenda e que não tinha condições de apoiá-la.

"Conselheiro" e "comandante"

A forma como Vorcaro se referia a Otto nas mensagens chamou atenção dos investigadores. O banqueiro teria utilizado os termos "conselheiro" e "comandante" ao mencionar o senador em conversas com Ciro Soares. Os registros também mostram tentativas de estabelecer contato presencial entre os dois.

Otto, porém, rejeita a interpretação de que tivesse uma relação próxima com Vorcaro. O senador afirmou que nunca encontrou pessoalmente o ex-banqueiro e declarou que não exercia qualquer função de aconselhamento junto a ele.

Em declaração ao BNews, Otto afirmou que o banqueiro teria "exagerado na conversa" ao tratá-lo dessa maneira e negou ter dado conselhos a Vorcaro.

Emenda não avançou

A proposta relacionada ao FGC não foi incorporada ao texto final da PEC. Otto afirmou que não levou a medida adiante e indicou que o andamento da matéria poderia ser esclarecido pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), que era o relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O senador também negou ter tratado com Vorcaro de assuntos envolvendo Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central.

Negativa sobre encontros

Apesar das mensagens registrarem tentativas de aproximação, Otto sustenta que nunca se encontrou presencialmente com Vorcaro. Ciro Soares também afirmou que não organizou almoços ou encontros entre o senador e o ex-banqueiro.

Até o momento, Otto Alencar e Ciro Soares não são apontados como alvos de inquéritos relacionados ao caso Master nas reportagens consultadas. 

A defesa de Vorcaro, por sua vez, não apresentou manifestação específica sobre as mensagens, mas já afirmou que o ex-banqueiro está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

O caso ganhou novos contornos após a divulgação do conteúdo do celular de Vorcaro e da confirmação, pelo próprio Otto, de que houve contatos telefônicos entre os dois. 

As mensagens e as declarações públicas do senador apresentam versões que ainda precisam ser analisadas no contexto das investigações.

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