Juiz dos EUA chama de falso registro usado por Alexandre de Moraes para prender Filipe Martins

21/08/2026
 (Foto: Nelson Jr./SCO/STF e MRE)
(Foto: Nelson Jr./SCO/STF e MRE)

Por Revista Formosa

Uma transcrição de audiência realizada nos Estados Unidos trouxe novos detalhes sobre o registro migratório que indicava uma suposta entrada de Filipe Martins no país em dezembro de 2022. 

A informação foi utilizada no Brasil pelo ministro Alexandre Moraes durante o processo que levou à prisão preventiva do ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência no governo Jair Bolsonaro.

O documento, segundo a transcrição da audiência, foi classificado como "registro falso" pelo juiz federal americano Gregory Presnell. O magistrado também cobrou explicações das autoridades dos Estados Unidos sobre a origem da informação e quem teria participado de sua inclusão no sistema oficial.

A audiência ocorreu em 26 de março de 2026, em uma ação movida por Martins contra órgãos do governo americano. A defesa busca documentos que possam esclarecer a origem do registro migratório.

O sistema americano apontava que Martins teria entrado nos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022, mesma data em que Jair Bolsonaro viajou para a Flórida. O dado foi posteriormente considerado no Brasil na análise de um possível risco de fuga.

Em fevereiro de 2024, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão de Filipe Martins. A suposta viagem aos Estados Unidos esteve entre os elementos considerados na decisão.

Martins ficou preso preventivamente por quase seis meses e sua defesa sustentou que ele permaneceu no Brasil durante o período.

A situação ganhou novo capítulo em 2025, quando a própria Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) informou, após uma revisão, que Martins não havia entrado no país naquela data. O órgão retirou o registro dos seus sistemas e comunicou que investigaria como a informação havia sido inserida.

Na audiência, realizada na Flórida, o juiz Presnell foi além da classificação anterior das autoridades de fronteira, que haviam tratado o dado como um registro incorreto. O magistrado utilizou a expressão "registro falso" e determinou medidas para descobrir a origem da informação.

Em 30 de março, quatro dias após a audiência, Presnell expediu uma ordem relacionada ao cumprimento das exigências feitas ao governo americano.

Até agora, porém, não foi divulgada uma identificação pública de quem teria inserido o registro no sistema dos Estados Unidos. Também não há, até o momento, atribuição oficial de responsabilidade a autoridades americanas ou brasileiras. Nos próximos dias tudo indica que será revelado os autores.

A questão central que permanece em aberto é como um registro migratório considerado falso foi criado dentro de um sistema oficial dos Estados Unidos e quem participou de sua inserção.

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