Da Bahia a Formosa, segundo turno coloca apoios políticos à prova

Por Revista Formosa
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 coloca à prova a capacidade de articulação das lideranças políticas e a influência que elas exercem sobre o eleitorado. Na Bahia, onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou o primeiro turno com ampla vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL), o apoio de ACM Neto (União Brasil) ao candidato do PL acrescenta um novo elemento à disputa.
A principal questão é se o ex-prefeito de Salvador conseguirá mobilizar seu grupo político e atrair novos votos para Flávio, especialmente entre eleitores que o apoiaram na eleição para governador, mas escolheram Lula para presidente.
ACM Neto havia apoiado Ronaldo Caiado (PSD) no primeiro turno. Após a definição dos dois candidatos que seguem na disputa presidencial, declarou apoio a Flávio Bolsonaro e afirmou que trabalhará pela campanha na Bahia, ao lado de prefeitos, deputados federais e outras lideranças políticas.
O apoio amplia a articulação em torno do candidato do PL no estado, mas não significa transferência automática de votos. A decisão final pertence aos eleitores, que podem fazer escolhas diferentes para presidente e governador.
Brasil: Flávio terminou o primeiro turno na frente
Na votação nacional, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos. Lula obteve 53.879.538 votos, ou 45,16%.
A diferença entre os dois foi de aproximadamente 2,22 milhões de votos. O resultado colocou Flávio na liderança da disputa, mas o segundo turno abre uma nova etapa, na qual os candidatos buscam ampliar suas bases eleitorais.
Nesse cenário, o apoio de lideranças que estiveram ao lado de outros candidatos no primeiro turno pode influenciar a campanha. Entretanto, o peso eleitoral dessas alianças só poderá ser avaliado com mais clareza a partir dos resultados da segunda votação.
Bahia: apoio político diante de uma ampla vantagem de Lula

Na Bahia, Lula recebeu 5.664.771 votos, alcançando 66,17% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro somou 2.442.585 votos, o equivalente a 28,53%.
Os números mostram a distância entre os candidatos no estado e ajudam a dimensionar o desafio da campanha de Flávio. A entrada de ACM Neto na articulação em favor do senador pode ampliar a mobilização de setores da oposição ao governo estadual, mas ainda é necessário observar como os eleitores reagirão.
A questão não se limita ao apoio anunciado publicamente. Também envolve a capacidade de reunir diferentes grupos políticos e convencer os eleitores a acompanhar a orientação de suas lideranças.
Formosa do Rio Preto: resultados diferentes para presidente e governador
Em Formosa do Rio Preto, no oeste da Bahia, os resultados do primeiro turno revelaram uma diferença entre a escolha para presidente e a votação para governador.
Na disputa presidencial, Lula foi o mais votado, com 9.366 votos, correspondentes a 58,15%. Flávio Bolsonaro recebeu 6.090 votos, ou 37,81%.
Já na eleição para governador da Bahia, ACM Neto ficou à frente de Jerônimo Rodrigues (PT) no município. Neto obteve 7.914 votos, equivalentes a 51,47%, enquanto Jerônimo recebeu 7.441 votos, ou 48,39%.
O contraste chama a atenção: o candidato do União Brasil venceu a disputa estadual no município, mas Lula liderou a votação presidencial.
Os resultados demonstram que os eleitores não necessariamente repetem a mesma escolha em todas as disputas. Por isso, a votação de ACM Neto para governador não pode ser considerada, automaticamente, uma indicação de quantos eleitores votarão em Flávio Bolsonaro para presidente.
A pergunta que fica para o segundo turno é: o apoio de ACM Neto conseguirá ampliar a votação de Flávio em Formosa do Rio Preto e em outras cidades baianas? A resposta dependerá da mobilização política e, sobretudo, das escolhas individuais dos eleitores.
Histórico presidencial: quem venceu o primeiro turno também venceu o segundo
Desde a redemocratização, em 1989, todos os candidatos que terminaram o primeiro turno na liderança e disputaram a segunda votação conseguiram vencer a eleição presidencial.
Em 1989, Lula chegou ao segundo turno atrás de Fernando Collor e, apesar de ampliar sua votação, não conseguiu ultrapassar o adversário. Em 2022, Jair Bolsonaro também reduziu a diferença em relação a Lula, mas terminou derrotado.
Esse histórico faz parte do contexto da disputa de 2026, mas não garante que o resultado se repetirá. Cada eleição apresenta circunstâncias próprias, e a vantagem obtida no primeiro turno não elimina a possibilidade de mudanças na votação.
Flávio Bolsonaro inicia a etapa final à frente de Lula, enquanto as duas campanhas buscam conquistar novos apoios e mobilizar seus eleitores. O resultado de 25 de outubro mostrará se a liderança inicial será mantida.
Revista Formosa ouviu lideranças da esquerda e da direita

Para compreender as expectativas em torno da disputa, a Revista Formosa ouviu lideranças políticas ligadas à esquerda e à direita.
Entre os representantes da esquerda, as avaliações são distintas. Alguns consideram difícil reverter o resultado e já mencionam a reorganização do grupo político para as eleições de 2030. Outros reconhecem o tamanho do desafio, mas mantêm a expectativa de uma vitória de Lula.
Na direita, as lideranças destacam o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e avaliam que o resultado abriu espaço para ampliar a votação. Também defendem a continuidade da mobilização durante a campanha do segundo turno.
As diferentes posições mostram que, além da disputa entre os dois candidatos, o momento é de articulação política e avaliação das estratégias que poderão ser adotadas até a votação.
Da Bahia a Formosa do Rio Preto, o apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro será um dos pontos a observar. O ex-prefeito de Salvador conseguirá ampliar a votação do candidato do PL entre eleitores que o escolheram para governador? A liderança de Flávio no primeiro turno será mantida? E Lula conseguirá reduzir a diferença?
As respostas virão das urnas. Até 25 de outubro, a disputa seguirá marcada pela busca de apoios, pela mobilização das bases políticas e pela tentativa de conquistar a confiança dos eleitores.
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