Crise no BRB e no Iprev coloca finanças do DF sob risco e pressiona governo Ibaneis e Celina
Oposição protocola impeachment contra Ibaneis por caso BRB–Master

Por Revista Formosa
O Distrito Federal pode se aproximar de uma das situações fiscais mais delicadas de sua história recente.
Com a previsão orçamentária de R$ 43,6 bilhões para 2026, aprovada pela Câmara Legislativa no fim de 2025, estimativas indicam que uma parcela significativa desse valor — superior a 20% — pode estar comprometida por passivos relacionados a operações financeiras que envolvem o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
O quadro se torna ainda mais sensível devido ao papel do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), que figura como o segundo maior acionista do BRB.
Isso significa que recursos destinados à aposentadoria e às pensões de servidores públicos acabam expostos ao desempenho financeiro da instituição bancária, elevando o grau de risco para o sistema previdenciário local.
A preocupação aumentou após a divulgação de reportagens que apontam fragilidades na saúde financeira do Iprev. Em novo levantamento publicado pelo portal Metrópoles, documentos internos indicam que o instituto projeta um déficit de R$ 2,1 bilhões para 2026.
Em comunicação interna, a Diretoria de Administração e Finanças teria alertado a presidência sobre a necessidade de aportes urgentes para assegurar o pagamento regular de benefícios no próximo ano.
Analistas ouvidos nas reportagens avaliam que a soma de fatores — operações consideradas arriscadas, exposição do patrimônio previdenciário e a dependência crescente de recursos do Tesouro distrital — pode gerar um efeito em cadeia nas contas públicas. O problema ultrapassa o campo financeiro e passa a ter repercussões políticas e institucionais.
Nos bastidores do meio jurídico e político, já se fala na possibilidade de responsabilização de autoridades do Executivo local, caso investigações futuras indiquem que decisões administrativas tenham contribuído para comprometer o equilíbrio das finanças públicas e do regime previdenciário.
Eventuais conclusões nesse sentido poderiam embasar questionamentos legais sobre a permanência de gestores nos cargos.
Enquanto isso, servidores acompanham o cenário com apreensão, temendo atrasos ou dificuldades no recebimento de aposentadorias e pensões.
A cobrança por maior transparência e por um plano concreto de enfrentamento da situação cresce, direcionando pressão tanto ao Palácio do Buriti quanto às direções do BRB e do Iprev.
O tema deve ganhar ainda mais espaço no debate público do Distrito Federal nos próximos meses, à medida que novos dados venham à tona e órgãos de controle avancem em análises e auditorias.
Oposição protocola impeachment contra Ibaneis por caso BRB–Master

Parlamentares do PSB, Cidadania e PSOL protocolaram dois pedidos de impeachment contra o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), por supostas irregularidades nas negociações entre o BRB e o Banco Master.
As ações dependem de aval inicial do presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), para começarem a tramitar.
Assinam um dos pedidos:
- quatro membros do PSB-DF: Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro;
- o presidente do Cidadania-DF, Cristovam Buarque;
- dois advogados: Rodrigo Pereira e Lynecker Juliano.
O outro pedido de impeachment foi protocolado pelo diretório do PSOL no DF e é assinado pela presidente regional da sigla, Giulia Tadini.
Os autores citam a tentativa de compra do Master pelo BRB, barrada pelo Banco Central, e a posterior liquidação do banco após suspeitas de fraude em operações de R$ 12,2 bilhões.
Entre 2024 e 2025, o BRB repassou R$ 16,7 bilhões ao Master, valores que, segundo o Ministério Público, apresentam indícios de gestão fraudulenta.
Ibaneis confirmou reuniões com o dono do Master, mas negou tratar da operação. A oposição aponta omissão do governador diante dos alertas regulatórios. Além do impeachment, há pedido ao MPF para investigar o caso e bloquear bens do gestor.
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