Casaram na quinta, ela foi morta no domingo: policial civil é acusado de matar a esposa três dias após o casamento

Por Revista Formosa
O que era para marcar o início de uma nova etapa na vida de um casal terminou em uma das histórias criminais mais marcantes da Bahia. Três dias após oficializar a união, a estudante de Direito Luciana Machado Souza, de 29 anos, foi morta a tiros pelo próprio marido, o policial civil Evaristo Santana Filho, dentro da residência onde viviam, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.
O casamento aconteceu em uma quinta-feira, em uma cerimônia reservada aos familiares. No domingo, parentes participaram de uma confraternização em um sítio, em Dias d'Ávila, para celebrar a união. Horas depois, na madrugada de 24 de janeiro de 2010, a comemoração deu lugar à tragédia.
Segundo as investigações, o casal discutiu durante o retorno para casa e o desentendimento continuou já na residência. Conforme relatos da família, Evaristo teria consumido bebida alcoólica antes da discussão se intensificar. Em determinado momento, Luciana teria afirmado que, se aquele fosse o começo do casamento, talvez fosse melhor colocar fim ao relacionamento. Logo depois, o policial sacou a arma e efetuou os disparos.
Crime aconteceu diante das crianças

Luciana foi atingida por vários tiros à queima-roupa. O assassinato ocorreu na presença de três crianças que estavam na casa: as duas filhas da vítima e a filha do acusado.
De acordo com depoimentos reunidos durante o processo, uma das meninas relatou que viu o policial apontar a arma para a mãe antes de dizer que, se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém. Após os disparos, a criança correu para a rua em busca de ajuda.
Depois do crime, Evaristo deixou o local e, posteriormente, apresentou-se espontaneamente à Corregedoria da Polícia Civil. Como não havia mandado de prisão naquele momento, foi ouvido e liberado. Dias depois, a Justiça decretou sua prisão preventiva, que foi cumprida enquanto ele estava internado em uma unidade de saúde.
Histórico levantou novos questionamentos
Durante a investigação, familiares afirmaram que o policial era ciumento e controlava a rotina da esposa. Também surgiram informações de que ele já respondia a um processo relacionado à violência doméstica contra outra mulher.
Outro ponto que ganhou repercussão foi o ingresso de Evaristo na Polícia Civil. Antes de assumir o cargo, ele havia sido considerado inapto em avaliações psicológicas exigidas para o concurso, mas conseguiu tomar posse após decisão judicial.
O caso provocou debates sobre os critérios adotados na seleção de agentes de segurança pública e sobre a revisão judicial de exames psicológicos para carreiras policiais.
Processo se arrastou por mais de uma década

Embora o crime tenha ocorrido em 2010, a ação penal enfrentou uma longa sequência de recursos e perícias psiquiátricas.
Ainda no início do processo, um exame concluiu que o acusado tinha capacidade para compreender seus atos no momento do homicídio. Mesmo assim, novos pedidos da defesa resultaram em outras avaliações médicas ao longo dos anos.
Em 2018, um laudo apontou transtornos psiquiátricos desenvolvidos após o crime, o que levou à substituição da prisão preventiva por tratamento ambulatorial. A discussão sobre a capacidade mental do acusado permaneceu em andamento até que, neste ano, uma nova perícia concluiu que ele está apto a responder ao processo.
Júri popular já tem data
Com a conclusão da última avaliação, a Justiça determinou o prosseguimento da ação penal e marcou o julgamento para 15 de outubro de 2026, no Fórum Criminal de Lauro de Freitas.
Mais de 16 anos após o assassinato que interrompeu um casamento de apenas três dias, o policial civil será submetido ao Tribunal do Júri, que decidirá se ele será condenado pelo homicídio de Luciana Machado Souza, em um dos casos de feminicídio que mais repercutiram na Bahia.
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