1 em cada 5 adolescentes perde a vontade de viver, e maioria dos pais não percebe crise silenciosa

Por Revista Formosa
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram um cenário preocupante para a saúde mental de adolescentes brasileiros.
Em 2024, foram ouvidos 118.099 estudantes de 13 a 17 anos, em 4.167 escolas públicas e privadas do país.
O levantamento aponta que três em cada dez jovens se sentem tristes sempre ou na maior parte do tempo, e proporção semelhante já pensou em se machucar de propósito.
Além disso, 42,9% relatam irritação ou nervosismo frequente, enquanto 18,5% dizem que a vida não vale a pena ser vivida.
Mesmo com esse quadro, o acesso a apoio ainda é limitado: menos da metade dos alunos estuda em escolas com algum tipo de suporte psicológico (58,2% na rede privada e 45,8% na pública), e apenas 34,1% têm acesso a profissionais de saúde mental.
Fora da escola, 26,1% afirmam sentir que ninguém se preocupa com eles, mais de um terço diz que os pais não entendem suas preocupações e cerca de 20% relatam agressão física dentro de casa no último ano.
O IBGE estima que cerca de 100 mil estudantes tiveram lesões autoprovocadas no período de 12 meses, o equivalente a 4,7% dos casos de lesões.
Entre esses jovens, os índices são mais graves: 73% convivem com tristeza constante, 67,6% com irritação frequente, 62% não veem sentido na vida e 69,2% já sofreram bullying.
No geral, quatro em cada dez adolescentes relatam ter sido vítimas de bullying, e a prática de autoagressão é mais comum entre meninas (6,8%) do que entre meninos (3%).
A percepção sobre o próprio corpo também piorou: a satisfação com a imagem caiu de 66,5% em 2019 para 58%.
Mais de um terço das meninas está insatisfeita com a aparência, contra menos de um quinto dos meninos. Mesmo assim, embora 21% das alunas se considerem acima do peso, mais de 31% tentam emagrecer.
Diante do cenário, o Ministério da Saúde orienta que adolescentes e responsáveis busquem apoio em familiares, amigos, educadores e serviços de saúde, como Caps, Unidades Básicas, UPA, SAMU (192) e hospitais.
Também é possível procurar o Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188, com atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia.

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