Saiba por que o uso recreativo de tadalafila pode representar riscos à saúde

Por Revista Formosa
A tadalafila, medicamento indicado principalmente para tratar disfunção erétil em homens com diagnóstico médico, tem sido cada vez mais utilizada de forma recreativa por jovens no Brasil.
Nas redes sociais, o remédio ganhou o apelido de "tadala" e aparece em vídeos como se fosse uma solução rápida para melhorar o desempenho sexual ou até potencializar resultados na academia.
No entanto, especialistas alertam que esses supostos benefícios não têm comprovação científica e podem trazer riscos para quem utiliza a substância sem necessidade clínica.
Apesar de ser um medicamento desenvolvido para tratar problemas específicos, muitos usuários recorrem à tadalafila sem qualquer prescrição médica.
Uma revisão científica publicada em 2024 no Diversitas Journal, que analisou mais de 20 estudos realizados nas últimas duas décadas, apontou que o perfil dos usuários é bastante variado em termos sociais e demográficos.
O ponto em comum, entretanto, é a compra do medicamento sem orientação profissional.
Entre os motivos para o consumo estão curiosidade, busca por maior confiança durante relações sexuais, pressão por desempenho e tentativa de reduzir ansiedade ou estresse antes do ato sexual.
Especialistas ressaltam que esses fatores estão mais ligados a questões psicológicas e comportamentais do que a problemas físicos que justifiquem o uso do remédio.
A tadalafila, assim como outros medicamentos da mesma classe — como a sildenafila e a vardenafila — atua relaxando os vasos sanguíneos e aumentando o fluxo de sangue no pênis, facilitando a ereção em casos de disfunção erétil de origem orgânica.
Em homens que não possuem esse problema, porém, não há ganho real de desempenho.
Esses medicamentos não aumentam o tamanho do pênis, não prolongam a relação sexual nem garantem ereções mais duradouras.
Alguns usuários relatam sensação de "pump" ou aumento momentâneo do volume muscular durante treinos.
Segundo especialistas, isso pode ocorrer devido à vasodilatação temporária provocada pelo medicamento, mas não existe evidência científica de que ele traga benefícios para a performance física.
Possíveis efeitos colaterais
Os efeitos adversos mais comuns estão relacionados justamente à dilatação dos vasos sanguíneos, podendo causar vermelhidão no rosto, dor de cabeça e congestão nasal.
Entretanto, o uso abusivo ou inadequado pode levar a problemas mais sérios, como alterações na pressão arterial, taquicardia, desmaios, perda temporária de visão ou audição e, em situações raras, infarto ou acidente vascular cerebral.
Outro risco é o priapismo, uma ereção prolongada e dolorosa que não está relacionada ao desejo sexual e que pode causar danos permanentes caso não seja tratada rapidamente.
O consumo do medicamento junto com bebidas alcoólicas também pode gerar efeitos indesejados.
Embora o álcool também cause dilatação dos vasos sanguíneos, ele atua como depressor do sistema nervoso central, o que pode dificultar a ereção e comprometer o desempenho sexual.
Dependência psicológica
Mesmo sem provocar dependência física comprovada, especialistas alertam para a possibilidade de dependência psicológica.
Alguns usuários passam a acreditar que só conseguem ter bom desempenho sexual com o auxílio do medicamento, o que pode aumentar inseguranças e ansiedade.
Além disso, fatores sociais também influenciam esse comportamento.
A exposição frequente a conteúdos pornográficos e a idealização do desempenho sexual podem criar expectativas irreais, levando jovens a recorrer ao remédio como forma de compensar inseguranças ou pressões.
Uso sem orientação médica preocupa especialistas
Estudos internacionais também indicam que o consumo sem orientação profissional é comum.
Uma pesquisa publicada em 2020 no International Journal of Clinical Practice entrevistou mais de 92 mil jovens e constatou que, entre aqueles que já utilizaram medicamentos para disfunção erétil, mais da metade o fez sem aconselhamento médico.
Outro problema é a venda irregular de produtos que prometem efeitos semelhantes, como suplementos ou gomas comercializadas na internet sem autorização sanitária.
Esses itens podem conter substâncias não declaradas ou contaminantes, aumentando os riscos à saúde.
Diante desse cenário, especialistas defendem campanhas de conscientização sobre os perigos da automedicação e reforçam que medicamentos como tadalafila, sildenafila e vardenafila devem ser utilizados apenas com indicação médica.
Falhas ocasionais na ereção podem acontecer e não significam necessariamente um problema de saúde.
Caso a dificuldade se torne frequente, o recomendado é procurar um profissional para investigar as causas e indicar o tratamento adequado.
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