Quem é Tatiana Sampaio, pesquisadora à frente dos estudos com polilaminina

25/02/2026
Imagem/Divulgação
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Por Revista Formosa

Tatiana Sampaio é a cientista brasileira que lidera as pesquisas sobre a polilaminina, substância experimental que ganhou destaque nacional como possível alternativa terapêutica para lesões na medula espinhal.

Trajetória acadêmica e atuação

Professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas da instituição. 

Formada em biologia pela própria UFRJ, concluiu mestrado em biofísica e doutorado em ciências na mesma universidade, consolidando sua atuação na área de bioquímica de proteínas e regeneração neural.

Ao longo da carreira, também realizou pós-doutorado no exterior, com passagens pela University of Illinois, nos Estados Unidos, e pela Universität Erlangen-Nürnberg, na Alemanha, aprofundando estudos em imunoquímica e inibidores de angiogênese.

Desde 1995, atua na UFRJ em regime de dedicação exclusiva, lecionando na graduação, participando de programas de pós-graduação e desenvolvendo pesquisas voltadas à matriz extracelular e à regeneração do sistema nervoso.

O que é a polilaminina

A polilaminina é um composto produzido a partir da laminina — proteína extraída de placenta humana — que passa por um processo de polimerização. A proposta é que a substância auxilie na regeneração neural após lesão medular. 

A aplicação é feita em dose única, diretamente na região lesionada durante procedimento cirúrgico.

Em janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do primeiro estudo clínico de fase 1 com a substância. 

Nessa etapa, o foco é exclusivamente avaliar a segurança do produto em cinco pacientes adultos com lesão medular torácica aguda e completa. Ainda não há análise de eficácia, apenas monitoramento de possíveis efeitos adversos.

O mecanismo de ação da polilaminina ainda não está totalmente esclarecido, segundo informações da própria agência reguladora.

Parcerias e pesquisa clínica

Tatiana Sampaio coordena o projeto "Desenvolvimento de um medicamento com base em polilaminina", iniciado em 2019 em parceria com a farmacêutica Cristália. 

Ela também está à frente do estudo clínico fase 1/2 que avalia segurança e potencial eficácia da substância em casos de lesão raquimedular aguda.

Apesar da repercussão pública, a pesquisadora e especialistas da área reforçam que o tratamento ainda está em fase inicial de testes em humanos, sem comprovação científica de eficácia até o momento.

Reconhecimento e repercussão

Com o avanço regulatório, Tatiana passou a ser mencionada fora do meio acadêmico. Em fevereiro, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o andamento das pesquisas.

O senador Flávio Bolsonaro também citou a cientista publicamente ao defender maior investimento em ciência no país. Durante o Carnaval, o cantor João Gomes pediu aplausos à pesquisadora na Marquês de Sapucaí, destacando sua importância.

Limites e cautela

Especialistas e entidades médicas recomendam prudência. A Academia Brasileira de Neurologia orienta que o uso da polilaminina seja restrito a protocolos de pesquisa aprovados. 

O estudo autorizado envolve número reduzido de participantes e tem foco exclusivo em segurança.

Até que novas fases clínicas sejam concluídas e os resultados analisados, a substância permanece como tratamento experimental, sem autorização para uso rotineiro no Brasil.

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