Por que não se come carne na Sexta-feira Santa? Entenda o significado da tradição católica

03/04/2026
Membros da Legião Espanhola carregam uma estátua representando "El Cristo de la Buena Muerte" (o Cristo da boa morte) na Igreja de Santo Domingo de Guzman durante a procissão da semana Santa do 'Cristo de Mena' em Málaga, no sul da Espanha. Crédito: JORGE GUERRERO / AFP
Membros da Legião Espanhola carregam uma estátua representando "El Cristo de la Buena Muerte" (o Cristo da boa morte) na Igreja de Santo Domingo de Guzman durante a procissão da semana Santa do 'Cristo de Mena' em Málaga, no sul da Espanha. Crédito: JORGE GUERRERO / AFP

Por Revista Formosa

A Sexta-feira Santa, também chamada de Sexta-feira da Paixão, é uma das datas mais importantes do calendário cristão. 

Nesse dia, os fiéis recordam a crucificação e morte de Jesus Cristo, em um momento marcado por silêncio, oração e reflexão.

Dentro da tradição da Igreja Católica, a orientação de não comer carne nesse dia está ligada ao sentido de penitência. Antigamente, a carne — especialmente a vermelha — era associada a festas, abundância e celebrações. 

Por isso, deixar de consumi-la na Sexta-feira Santa simboliza um sacrifício voluntário, uma forma de respeito pelo sofrimento de Cristo.

Em substituição, muitos optam pelo peixe, considerado um alimento mais simples e humilde. Além disso, o peixe possui forte simbolismo cristão, já que vários dos apóstolos eram pescadores e o alimento remete à simplicidade vivida por Jesus e seus seguidores.

A prática não surge de um versículo bíblico específico que proíba a carne, mas está relacionada ao espírito de jejum mencionado no Evangelho. 

Em Mateus 9:15, o próprio Jesus indica que seus discípulos jejuariam após sua partida, o que fundamenta esse costume ao longo da história.

A orientação oficial vem do Direito Canônico, que estabelece a penitência como um dever dos fiéis, especialmente durante a Quaresma. Na Sexta-feira Santa, essa prática se manifesta de duas formas principais:

  • Abstinência: não consumir carne (incluindo aves);
  • Jejum: reduzir a quantidade de alimento, geralmente com uma refeição principal e outras leves ao longo do dia.

Mais do que uma regra alimentar, a tradição convida à reflexão espiritual. O gesto de abrir mão de algo considerado prazeroso reforça a ideia de que, nesse período, o foco deve estar na fé, na oração e no significado do sacrifício de Cristo.

Por Ana Beatriz Sousa

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