Por que meninas estão entrando na puberdade cada vez mais cedo e quais são os perigos desse avanço ?

22/01/2026
Pesquisadores estão debruçados sobre as causas desse adiantamento biológico Crédito: Freepik
Pesquisadores estão debruçados sobre as causas desse adiantamento biológico Crédito: Freepik

Por Revista Formosa

O adiantamento da puberdade feminina deixou de ser um caso isolado e passou a chamar a atenção de médicos, cientistas e famílias em todo o mundo. O que antes ocorria por volta dos 16 ou 17 anos, no século XIX, hoje acontece, em média, aos 12. 

Esse encurtamento do tempo de infância levanta alertas não apenas sobre as causas do fenômeno, mas também sobre seus efeitos duradouros na saúde física e emocional das meninas.

Pesquisas recentes, analisadas por especialistas em endocrinologia e desenvolvimento infantil, mostram que a antecipação da puberdade vem se intensificando nas últimas décadas. 

Nos Estados Unidos, por exemplo, estudos indicam que o início do desenvolvimento das mamas caiu de cerca de 11 anos, nos anos 1960, para 9 ou 10 anos no final do século XX. 

Após a pandemia de Covid-19, médicos observaram ainda um aumento inesperado na procura por atendimento relacionado à puberdade precoce, o que sugere uma possível aceleração do processo.

Uma mudança que atravessa gerações

Historicamente, a redução da idade da primeira menstruação foi associada a avanços positivos, como melhor alimentação, saneamento básico e controle de doenças infecciosas. 

Esses fatores explicam a queda gradual registrada entre o século XIX e a primeira metade do século XX. No entanto, o cenário atual parece ultrapassar esse limite, desafiando parâmetros clínicos clássicos usados há décadas para avaliar o desenvolvimento infantil.

Hoje, pesquisadores apontam que não se trata apenas de melhorias nas condições de vida, mas de um conjunto de influências modernas que afetam diretamente o sistema hormonal das crianças.

O que está por trás do amadurecimento precoce

Embora a genética tenha papel importante, o ambiente em que as meninas vivem tem peso decisivo. Entre os principais fatores associados ao fenômeno estão:

  • Obesidade infantil: O excesso de gordura corporal estimula a produção de leptina, hormônio que participa da regulação do desenvolvimento reprodutivo e pode antecipar o início da puberdade.

  • Estresse emocional: Situações de trauma, violência, pobreza, instabilidade familiar ou sofrimento psicológico na infância estão relacionadas a um início mais precoce das transformações corporais.

  • Substâncias químicas do cotidiano: Compostos presentes em plásticos, cosméticos, fragrâncias artificiais e produtos industriais — como ftalatos e PFAS — são investigados por sua capacidade de interferir no sistema endócrino, imitando ou bloqueando a ação natural dos hormônios.

Impactos que vão além do corpo

O amadurecimento antecipado não se limita às mudanças físicas. Estudos associam a puberdade precoce a maiores riscos de problemas de saúde ao longo da vida, incluindo obesidade, doenças cardiovasculares e aumento da probabilidade de câncer de mama.

No aspecto psicológico, os efeitos também são preocupantes. Meninas que se desenvolvem antes das colegas podem enfrentar ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades de socialização. 

O contraste entre um corpo que aparenta maturidade e uma mente ainda infantil pode gerar cobranças, exposição a situações inadequadas e até episódios de discriminação.

Quando é preciso agir

Atualmente, médicos consideram normal o início da puberdade entre 8 e 13 anos em meninas. Casos antes dos 8 anos são classificados como puberdade precoce e costumam exigir avaliação especializada. 

Diante das mudanças observadas nos últimos anos, entidades médicas internacionais trabalham na atualização de diretrizes clínicas, com previsão de novas recomendações nos próximos anos.

Especialistas ressaltam que nem sempre a solução passa apenas por medicamentos para interromper o processo hormonal. 

O acompanhamento psicológico, o diálogo aberto com a família e a educação adequada sobre as transformações do corpo são estratégias fundamentais para reduzir impactos emocionais e garantir um desenvolvimento mais saudável.

Em meio a tantas mudanças, o consenso entre os pesquisadores é claro: compreender as causas do fenômeno e oferecer apoio integral às crianças é essencial para proteger não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional das futuras gerações.

(Com informações da revista Nature)

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