Polícia prende ex-técnicos de enfermagem suspeitos de matar três pacientes em hospital no DF

Por Revista Formosa
Três ex-técnicos de enfermagem foram presos sob suspeita de envolvimento na morte de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, entre novembro e dezembro de 2024.
A investigação tramita em segredo de Justiça e, por isso, os nomes dos investigados não foram divulgados.
De acordo com a Polícia Civil e apuração da TV Globo, o caso veio à tona após análise de imagens das câmeras de segurança da UTI, que mostraram condutas consideradas suspeitas durante os atendimentos às vítimas.
As pessoas que morreram foram: uma professora aposentada de 75 anos, moradora de Taguatinga; um servidor público de 63 anos, residente no Riacho Fundo I; e um servidor público de 33 anos, de Brazlândia.
Em nota, o Hospital Anchieta informou que identificou "circunstâncias atípicas" em três óbitos ocorridos na UTI e instaurou um comitê interno para apuração.
Após concluir a investigação preliminar, a instituição encaminhou o caso à Polícia Civil e solicitou abertura de inquérito.
Os três profissionais suspeitos foram demitidos e as famílias das vítimas foram comunicadas, segundo o hospital.
Como teriam ocorrido os crimes
Conforme a Polícia Civil, um técnico de enfermagem de 24 anos teria se aproveitado de um sistema hospitalar aberto na conta de um médico para prescrever um medicamento inadequado.
Ele buscou o remédio na farmácia e aplicou nas vítimas sem autorização ou consulta à equipe médica responsável.
Duas aplicações ocorreram em 17 de novembro e outra em 1º de dezembro de 2024. Ainda segundo os investigadores, após administrar o medicamento, o técnico realizava manobras de massagem cardíaca nas vítimas, o que, para a polícia, seria uma tentativa de encobrir a ação.
A investigação também apontou que o mesmo técnico aplicou desinfetante, por meio de seringa, dez vezes na paciente de 75 anos, no mesmo dia em que ela sofreu múltiplas paradas cardíacas.
As outras duas suspeitas — técnicas de enfermagem de 22 e 28 anos — teriam auxiliado em dois dos casos. Inicialmente, todos negaram envolvimento, mas teriam confessado após confronto com as imagens das câmeras de segurança.
A polícia afirmou que não há indícios de que os crimes tenham sido cometidos a pedido das vítimas ou de familiares e segue investigando para verificar se há outros casos semelhantes.
Prisões e novas diligências
As prisões ocorreram em 11 de janeiro de 2026, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.
Uma segunda fase da operação foi realizada em 15 de janeiro, com apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia. Imagens das prisões foram divulgadas pela polícia, com os rostos borrados.
Posição do Hospital Anchieta
O hospital declarou que agiu por iniciativa própria ao detectar irregularidades, criou um comitê interno, conduziu investigação em menos de 20 dias e repassou as evidências às autoridades.
A instituição também afirmou que pediu a prisão cautelar dos envolvidos e que colabora integralmente com as investigações.
O Anchieta disse ainda que se considera vítima das ações dos ex-funcionários e reiterou compromisso com a segurança dos pacientes, solidarizando-se com as famílias.
Manifestação do CRM-DF
O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) informou que abriu procedimentos internos para apurar eventual responsabilidade médica, garantindo direito à ampla defesa e mantendo sigilo conforme prevê o Código de Ética Médica.
O conselho destacou que as esferas criminal, civil e administrativa são independentes.
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