Perigo silencioso: energéticos e pré-treinos podem estar ligados a mortes precoces entre jovens

15/03/2026
Consumo de bebidas à base de cafeína ou taurina se tornou Crédito: Oto Zapletal / Wikimedia Commons
Consumo de bebidas à base de cafeína ou taurina se tornou Crédito: Oto Zapletal / Wikimedia Commons

Por Revista Formosa

A busca por resultados rápidos na academia tem sido impulsionada pelas redes sociais e pelo forte marketing da indústria de suplementos. 

Nesse cenário, latas de energético e potes de pré-treino passaram a fazer parte da rotina de muitos jovens, quase como se fossem indispensáveis para melhorar o desempenho nos treinos. 

No entanto, especialistas alertam que o consumo exagerado dessas substâncias pode trazer sérios riscos à saúde.

Estudos e médicos apontam que o excesso de cafeína e de outros estimulantes pode provocar sintomas como palpitações, ansiedade, tremores, insônia e aumento da pressão arterial. 

Em situações mais graves, essa sobrecarga pode desencadear problemas cardiovasculares sérios.

O mito do pré-treino para quem treina por lazer

A cafeína possui efeito ergogênico, ou seja, pode ajudar no foco e no desempenho em algumas situações específicas. Porém, isso não significa que qualquer pessoa precise ingerir grandes quantidades antes de um treino comum, como musculação moderada, corrida leve ou aulas funcionais.

Para praticantes amadores, o benefício costuma ser pequeno quando comparado aos riscos do consumo excessivo. 

Na maioria das vezes, resultados consistentes vêm da regularidade nos treinos, alimentação equilibrada e descanso adequado — e não de uma carga elevada de estimulantes.

Além disso, muitos pré-treinos combinam cafeína com taurina, guaraná e outras substâncias estimulantes. 

Essa mistura pode mascarar o cansaço natural do corpo e aumentar a pressão sobre o sistema cardiovascular.

O limite seguro da cafeína

Para adultos saudáveis, a recomendação mais comum é de até 400 miligramas de cafeína por dia. O problema é que muitas pessoas contabilizam apenas o energético ou o pré-treino e acabam esquecendo outras fontes consumidas ao longo do dia.

Um café coado pode ter cerca de 100 mg de cafeína, uma lata de energético pode ultrapassar 200 mg, e alguns pré-treinos chegam perto de 300 mg por dose. 

Somando tudo, não é difícil ultrapassar o limite considerado seguro.

Quando grandes quantidades são ingeridas em um curto período de tempo, os efeitos tendem a ser mais intensos, com sintomas como aceleração do coração, aumento da pressão arterial, inquietação, suor excessivo e dificuldade para dormir.

Efeitos colaterais e casos mais graves

Entre os efeitos mais comuns estão insônia, taquicardia, tremores, irritabilidade, dor de cabeça, náusea e agravamento de quadros de ansiedade. Pessoas com hipertensão, arritmias ou predisposição a problemas cardíacos podem ter riscos ainda maiores.

Casos extremos reforçam o alerta. Há relatos médicos de um homem de 54 anos que sofreu um AVC após consumir cerca de oito energéticos por dia, com ingestão estimada entre 1.200 mg e 1.300 mg de cafeína — mais de três vezes acima do limite recomendado.

Pesquisas científicas recentes também indicam que o consumo frequente de energéticos pode provocar aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e alterações no ritmo elétrico do coração.

Como melhorar o desempenho de forma segura

Quem busca mais disposição para treinar não precisa recorrer a doses elevadas de estimulantes. Um lanche leve com carboidratos e proteína antes da atividade, hidratação adequada e uma rotina de sono regular costumam trazer melhores resultados ao longo do tempo.

Muitas vezes, a falta de energia está relacionada a hábitos desequilibrados, como noites mal dormidas ou alimentação inadequada. 

Corrigir esses pontos tende a ser mais eficaz e seguro do que apostar em estimulantes cada vez mais fortes.

Caso surjam sintomas como palpitação, dor no peito, tontura, falta de ar ou mal-estar após consumir energéticos ou pré-treinos, o mais indicado é interromper o uso e buscar avaliação médica.

O alerta sobre o "dry scooping"

Outra prática que vem preocupando especialistas é o chamado dry scooping, quando a pessoa coloca o pré-treino em pó diretamente na boca e só depois tenta engolir ou beber água.

Esse hábito pode provocar engasgos e até a aspiração do pó para as vias respiratórias, o que pode levar a complicações como pneumonia aspirativa. 

Além disso, sem diluição, o organismo recebe uma grande quantidade de estimulantes de uma só vez, aumentando o risco de palpitações, dor no peito, tremores e falta de ar — especialmente em pessoas com problemas cardíacos ou pulmonares.

Em saúde, atalhos nem sempre significam avanço. Muitas vezes, podem ser justamente o começo do problema. 

Siga a Revista Formosa no Instagram. Nosso canal no WhatsApp e esteja sempre atualizado! Receba as últimas notícias da Revista Formosa no Google News.

Painel Cinematográfico de GIFs