O silêncio das antigas moradas: histórias que resistem ao tempo na zona rural de Formosa do Rio Preto

Por Mariano França – Colunista da Revista Formosa
Em diferentes cantos do interior de Formosa do Rio Preto, no oeste da Bahia, o tempo transformou paisagens, caminhos e modos de vida.
Onde antes havia casas cheias, crianças correndo pelos quintais, roças cultivadas e famílias reunidas, hoje restam apenas lembranças, ruínas e histórias guardadas na memória de quem viveu aqueles dias.
Diversos pontos de moradia na zona rural do município simplesmente deixaram de existir ao longo das décadas.
O desaparecimento dessas comunidades está ligado a diferentes fatores: o envelhecimento da população, a busca por melhores condições de vida, o desejo de garantir educação para os filhos e, principalmente, o êxodo das novas gerações para cidades maiores.
Muitas vezes, os filhos partiram em busca de oportunidades e os pais, já idosos, acabaram deixando as antigas moradas por não terem mais condições de se manter no local.

Entre as histórias que ajudam a compreender essa transformação está a de Dona Badia França, nascida em 1946. Filha mais velha de Miguel de Duninha, ela relembra com clareza uma viagem que marcou sua infância e que hoje parece quase inimaginável para as novas gerações.
Em 1954, quando tinha apenas sete anos de idade, Dona Badia deixou a localidade do Ribeirão com a família. A mudança foi feita de forma simples, como era comum na época: em uma canoa descendo o Rio Sapão até a comunidade de São Marcelo.
A viagem durou cerca de um dia e meio, enfrentando o curso do rio e as dificuldades do trajeto.
Depois de chegar ao destino pelo rio, a jornada ainda não havia terminado. A família seguiu a pé até a localidade conhecida como Arroz, onde viveram por um período.
Para a menina de apenas sete ou oito anos, aquela travessia representava muito mais que uma mudança de lugar — era o início de uma nova etapa da vida no interior profundo do município.
Histórias como a de Dona Badia revelam um tempo em que o deslocamento era lento, a vida era profundamente ligada à terra e as comunidades rurais funcionavam como verdadeiros núcleos de convivência e sobrevivência.
Moradas que ficaram na memória
Ao longo dos anos, diversos pontos de moradia foram sendo abandonados ou desapareceram completamente. Em cada um deles viveram famílias que ajudaram a construir a história da região.
Entre essas antigas moradas estão:
- Ribeirão – onde viveram Margarida, Joana, Miguel de Duninha e Penina.
- Morrinho de Iaiá – de Alipinho Bagaço e Aniceto.
- Bom Jardim – de Odonélio, Penina e Acir.
- Goiabeira – de Zeca Preto, Luiz de Flora e Jervásio.
- Santa Luzia – de Luizinho.
- Santa Maria – de Celson e Rê.
- Pimenta – de Sacardote.
- Forte – de Dandão e Armêndio.
- Mangueira – de Duoro e Arnaldo.
- Brejo da Porta – de Jacinto.
- Porcos – de Elesbão e Raimundo.
- Primeira Ponte – de Arnaldo.
- Brejão do Gerais – de Abedom.
- Brejo Grande – de Manelão.
- São Pedro – de Zé de Bela.
- Riacho Escuro – de Nego de Viana, Rucha e Tercina.
- Vau – de Maurício, Quirino e Gringo.
- Vereda do Meio – de Nelson, Nego Dé e Zé de Bela.
- Areal.
- Buritirana – de Otacílio.
- Pimenta – de Quirino e Zé da Pimenta.
- Gameleira – de Luiz de Flora, Josa e Zé Grande.
- Brejão do Riachão – de Gregório, Jacinta e Chico Piau.
- Imbiracú – de Tecla e Luzia.
- Altamira – de Gilberto, Maria de Justina e João.
- Remanso.
- Canto da Ilha (Candaía) – de Roseno e Paulo.
- Sassafráz – de Lelinha.
- João Ribeiro – de Gregório Bachão e Januário Rocha.
- Lagoa – de Chico da Lagoa.
- Ermiço – de Ferreira.
- Binícia – de Luiz Veredinha.
- Riachão de Polim – de Polim e Carmosa.
Famílias espalhadas pelo Brasil
Embora muitos desses lugares tenham desaparecido do mapa das moradias rurais, as pessoas que viveram ali continuam presentes — espalhadas por diferentes cidades.
Algumas ainda permanecem em Formosa do Rio Preto, seja na sede do município ou em outras áreas da zona rural.
Outras seguiram novos caminhos e hoje vivem em cidades como Brasília, Anápolis, Goiânia, Maringá, Cristalândia, Mateiros e Dianópolis, entre tantas outras pelo Brasil.
Um patrimônio de memória

Cada uma dessas antigas moradas representa mais do que um ponto geográfico. São pedaços da história de famílias inteiras, lugares onde nasceram amizades, foram criados filhos, celebradas festas e enfrentadas dificuldades típicas da vida no sertão.
Com o passar do tempo, muitas dessas casas desapareceram, mas as histórias continuam vivas na memória de quem viveu naquele tempo. E são justamente essas lembranças que ajudam a preservar a identidade e a história rural de Formosa do Rio Preto.
Porque, mesmo quando as casas desaparecem, a memória das comunidades permanece viva nas pessoas que carregam consigo as histórias de um tempo em que o interior era feito de caminhos de terra, viagens de canoa e laços familiares profundamente enraizados na terra.
@revista.formosa Formosa do Rio Preto - Bahia Durante décadas, diversas comunidades fizeram parte da vida rural de Formosa do Rio Preto. Eram lugares simples, mas cheios de vida, onde famílias construíram histórias, criaram filhos e cultivaram a terra. Com o passar dos anos, muitas dessas moradas foram sendo abandonadas e hoje existem apenas na memória de quem viveu ali. Entre elas estão Ribeirão, Morrinho de Iaiá, Goiabeira, Brejo da Porta, Riacho Escuro, Vereda do Meio, Buritirana e Canto da Ilha. Uma dessas histórias é a de Dona Badia França. Em 1954, quando tinha apenas sete anos, ela deixou a localidade do Ribeirão com a família. A mudança foi feita de canoa, descendo o Rio Sapão durante cerca de um dia e meio até chegar à comunidade de São Marcelo. Depois da viagem pelo rio, a família ainda seguiu a pé até a localidade conhecida como Arroz, onde passaram a viver. Histórias como essa ajudam a lembrar um tempo em que o deslocamento era difícil, mas a vida no interior era marcada pela união das famílias e pela força de quem construía sua história na terra. Lista e matéria completa: revistaformosa.com #notícias #revistaformosa
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