Navio-hospital chinês impede vistoria de médicos brasileiros no Rio de Janeiro

15/01/2026
Imagem/ CREMERJ
Imagem/ CREMERJ

Por Revista Formosa

Médicos do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) afirmam que foram impedidos de realizar uma vistoria completa no navio-hospital chinês Silk Road Ark, atracado no Píer Mauá, região central do Rio de Janeiro, na terça-feira (13). Segundo o órgão, a tentativa de fiscalização foi interrompida após a intervenção de uma autoridade consular chinesa e a chegada de militares estrangeiros ao local.

De acordo com o CREMERJ, a inspeção tinha como objetivo verificar eventuais atos médicos e as condições de funcionamento da embarcação, procedimento que, segundo o Conselho, é obrigatório em território nacional, mesmo quando envolve missões internacionais. A entidade sustenta que a fiscalização do exercício da medicina no Brasil é uma atribuição legal dos conselhos regionais.

O episódio foi relatado pelo médico Raphael Câmara, conselheiro do CREMERJ e também do Conselho Federal de Medicina (CFM), que esteve no local acompanhado de um médico-fiscal. Segundo ele, a autoridade consular chinesa chegou durante a tentativa de vistoria e teria se mostrado contrária à ação do Conselho. "Ela afirmou que não falaria com os fiscais e que não adiantaria o envio de ofícios", relatou.

Ainda conforme o conselheiro, enquanto os representantes do CREMERJ permaneciam do lado de fora do navio, em área considerada solo brasileiro, uma van com cerca de dez militares chineses chegou ao local. A presença do grupo, segundo o Conselho, foi interpretada como uma forma de intimidação e contribuiu para o impedimento da fiscalização.

O Ark Silk Road, da Marinha do Exército Popular de Libertação da China; consulado chinês no Brasil trata a embarcação como "navio-hospital"
O Ark Silk Road, da Marinha do Exército Popular de Libertação da China; consulado chinês no Brasil trata a embarcação como "navio-hospital"

Por outro lado, a situação envolve um impasse jurídico e diplomático. Normas do direito marítimo internacional estabelecem que navios de Estado — como é o caso de embarcações militares ou hospitalares vinculadas a governos — possuem imunidade jurisdicional, o que limita inspeções por autoridades locais sem o consentimento do país de bandeira. Esse entendimento costuma ser adotado em visitas oficiais de caráter diplomático.

A Marinha do Brasil informou que a presença do Silk Road Ark no Rio de Janeiro foi autorizada pelo governo federal como parte de uma visita diplomática e que não havia previsão de atendimento médico à população brasileira durante a permanência da embarcação no país.

Diante do ocorrido, o CREMERJ avalia os próximos passos e não descarta levar o caso a instâncias superiores, reforçando a posição de que qualquer atividade médica realizada em território nacional deve estar sujeita à fiscalização dos órgãos competentes. O episódio reacende o debate sobre os limites entre a soberania nacional, a atuação dos conselhos profissionais e as regras internacionais que regem visitas de navios de Estado ao Brasil.

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