Na Bahia, cresce de forma acelerada a busca de homens jovens por atendimento relacionado ao câncer de próstata

24/11/2025

Por Revista Formosa

Nos últimos anos, o cuidado com a saúde prostática deixou de ser uma preocupação restrita aos homens acima de 50 anos. Dados recentes mostram que baianos com menos de 49 anos têm procurado muito mais os serviços de saúde para realização de procedimentos ligados ao câncer de próstata.

Entre 2020 e 2024, o número de atendimentos ambulatoriais desse público no estado saltou de 679 para 9.699. Isso representa um aumento superior a 1.400%, conforme registros do Ministério da Saúde. 

Apenas nos primeiros oito meses de 2025 já foram contabilizados 8.896 procedimentos, sinalizando que a tendência de crescimento continua.

O cenário nacional confirma o mesmo movimento: informações do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA/SUS) mostram aumento de 161% nos atendimentos voltados ao câncer de próstata em homens jovens, passando de 7.423, em 2020, para 19.415, em 2024. Em 2025, até agosto, já são 15.748 registros.

É importante considerar que o número de procedimentos não equivale ao total de pessoas atendidas, já que um mesmo paciente pode realizar mais de uma intervenção ou ter diversas etapas de tratamento.

De acordo com especialistas, essa elevação não significa necessariamente que a doença esteja se tornando mais comum em faixas etárias mais baixas. 

Para o cirurgião robótico Lucas Batista, responsável pela urologia da Universidade Federal da Bahia e do Hospital Cárdio Pulmonar, o fenômeno reflete, sobretudo, maior conscientização sobre a importância do acompanhamento médico e da realização do exame PSA. 

Segundo ele, campanhas educativas, ações de instituições de saúde e aumento da divulgação nas mídias vêm transformando o comportamento masculino ao longo dos últimos 15 anos.

Batista também destaca que os diagnósticos estão ocorrendo mais cedo. "Antes, era comum identificar a doença em pacientes com 60 anos. Hoje, observamos homens recebendo o diagnóstico a partir dos 50", comenta.

O oncologista Denis Jardim, líder nacional de tumores urológicos da Oncoclínicas, compartilha da mesma análise. 

Para ele, fatores como o avanço no acesso à saúde, o fortalecimento de campanhas como o Novembro Azul e uma mudança cultural na forma como os homens enxergam o autocuidado contribuem diretamente para o aumento das consultas preventivas.

Segundo Jardim, a redução do estigma em torno dos exames urológicos e o interesse crescente em envelhecer com mais qualidade têm estimulado até mesmo os mais jovens a procurarem avaliação especializada.

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