‘Mounjaro de pobre’: entenda o golpe de emagrecimento que viralizou nas redes sociais

13/01/2026
Mounjaro Natural, da Seiva Real, proibido pela Anvisa Crédito: Reprodução/ Redes sociais
Mounjaro Natural, da Seiva Real, proibido pela Anvisa Crédito: Reprodução/ Redes sociais

Por Revista Formosa

Prometer o corpo ideal sem esforço, sem uso de medicamentos, atividade física ou mudanças na alimentação. Esse é o discurso por trás do chamado "Mounjaro de pobre", uma suposta alternativa natural, caseira e de baixo custo que vem ganhando grande repercussão na internet. 

A proposta faz alusão ao medicamento Mounjaro, indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e que também ficou conhecido por auxiliar na perda de peso em alguns pacientes.

Divulgado como uma versão "econômica" da caneta emagrecedora, o produto se espalhou rapidamente em plataformas como TikTok e Facebook. Mas a promessa levanta dúvidas: afinal, esse método realmente funciona?

Segundo especialistas, receitas caseiras frequentemente associadas ao chamado "Mounjaro de pobre" até podem contribuir para a sensação de saciedade, por serem ricas em fibras, mas não reproduzem os efeitos do medicamento original nem atuam nos mesmos processos do organismo. 

"Psyllium, aveia e chia, por exemplo, contêm fibras solúveis e insolúveis que ajudam a retardar o esvaziamento gástrico e aumentam a sensação de estômago cheio", explica a nutricionista Julia Villa Nova (@nutri.villanovajulia).

Ela reforça, no entanto, que nenhum alimento isolado é capaz de promover emagrecimento. 

"A perda de peso saudável depende de uma alimentação equilibrada, com quantidades adequadas e individualizadas de carboidratos, proteínas, gorduras e calorias. Não existe fórmula milagrosa", destaca. Além disso, o emagrecimento sustentável é um processo gradual, que exige tempo e constância.

Mesmo sem comprovação científica, o apelo financeiro chama a atenção. Em alguns sites, o chamado "Mounjaro de pobre" é vendido por valores a partir de R$ 10, enquanto o medicamento original pode custar mais de R$ 1 mil. Essa aparente economia, porém, pode trazer sérios riscos à saúde.

"Não há qualquer respaldo científico. Dependendo do que seja ingerido, pode haver danos ao fígado e aos rins, alguns deles irreversíveis. Também podem surgir efeitos como náuseas, diarreia, desidratação e, em casos extremos, até óbito", alerta a endocrinologista Maria de Lourdes de Silva.

Embora certos produtos possam auxiliar o funcionamento intestinal ou prolongar a saciedade, eles não substituem medicamentos testados clinicamente nem tratamentos médicos indicados para obesidade ou diabetes. 

Por isso, especialistas recomendam cautela com conteúdos virais sobre emagrecimento. "Muitos influenciadores recorrem a procedimentos estéticos e até ao uso de substâncias ilícitas. O que parece funcionar para eles não necessariamente funcionará para outras pessoas", observa Julia, que orienta buscar sempre informações com nutricionistas registrados nos Conselhos Regionais de Nutricionistas (CRN).

Além dos riscos à saúde, o "Mounjaro de pobre" também tem sido associado a golpes virtuais. Anúncios enganosos prometem perdas de até 12 quilos em poucos dias, com frases como: 

"Emagreça até 12 kg em tempo recorde, sem agulhas, sem receita e sem gastar com canetas emagrecedoras".

A fraude é confirmada por relatos de consumidores em plataformas como o Reclame Aqui. Comentários como "enganação total", "produto não cumpre o que promete" e "quero meu dinheiro de volta" são frequentes.

"Qualquer método que prometa emagrecimento rápido e milagroso deve ser encarado como falso. Para perder 1 kg de gordura, é necessário um déficit de cerca de 7.700 calorias, algo impossível de alcançar em poucos dias de forma saudável", conclui a nutricionista.

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