Entenda como funciona a regulação de pacientes do SUS na Bahia e em outros estados

Por Revista Formosa
A regulação de pacientes foi criada para organizar o acesso da população aos serviços públicos de saúde.
Na Bahia, o sistema administra vagas hospitalares e organiza a demanda por internações, exames, consultas e procedimentos dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar de ser uma ferramenta essencial para o funcionamento da rede pública, o modelo ainda enfrenta desafios.
Como era antes da regulação
Antes da implantação do sistema, pacientes que precisavam de atendimento especializado ou de um leito hospitalar enfrentavam uma situação complicada.
Muitas vezes era necessário percorrer diversas unidades de saúde em busca de vaga.
Ambulâncias e familiares acabavam indo de hospital em hospital tentando conseguir atendimento.
Em vários casos, quando a vaga era encontrada, ela não correspondia ao tipo de tratamento necessário para aquele paciente.
Como funciona o sistema de regulação
Com a regulação, esse processo passou a ser centralizado.
As solicitações feitas dentro do SUS são encaminhadas para uma central responsável por avaliar cada caso.
A análise leva em conta fatores como:
Gravidade clínica do paciente
Risco de agravamento da doença
Grau de sofrimento
Necessidade imediata de atendimento
Após essa avaliação, a equipe da central busca, dentro da rede de saúde, a unidade mais adequada para receber o paciente.
Classificação por nível de urgência
Para organizar as prioridades, os hospitais utilizam protocolos internacionais. Um dos principais é o Protocolo de Manchester, que classifica os pacientes de acordo com o nível de urgência.
As categorias são:
Vermelho – Emergência
Laranja – Muito urgente
Amarelo – Urgente
Verde – Pouco urgente
Azul – Não urgente
Essa classificação ajuda a definir quem precisa de atendimento imediato e quem pode aguardar mais tempo.
Início da regulação na Bahia
O modelo de regulação no estado começou a ser implantado em 2003.
Segundo o médico intensivista pediátrico Paulo de Tarso, que participou da criação do sistema, a central estadual foi estruturada inicialmente durante o período do Carnaval de Salvador.
O projeto começou como um piloto regulando apenas emergências hospitalares. Entre as unidades envolvidas estavam o Hospital Geral do Estado, Hospital Ernesto Simões e unidades de emergência de Cajazeiras e São Caetano.
Pacientes dessas unidades eram encaminhados para hospitais que possuíam leitos destinados à regulação, como Martagão Gesteira, Hospital Santo Antônio e Santa Isabel.
Expansão do modelo
Com o passar do tempo, o sistema foi ampliado e passou a regular emergências, e também transferências entre unidades e internações hospitalares.
Um dos primeiros grupos atendidos nesse formato foi o de pacientes com casos graves de AIDS, que precisavam de leitos durante um período de aumento da doença no país.
Os três tipos de regulação
Atualmente, o sistema de regulação funciona dividido em três áreas principais:
Urgência e emergência
Internação hospitalar
Procedimentos ambulatoriais (consultas e exames)
Apesar dessa divisão, a estrutura básica das centrais é semelhante em todo o país: uma equipe recebe as solicitações e busca o atendimento necessário dentro da rede pública.
Vantagens do sistema
Especialistas apontam que a regulação trouxe avanços importantes para o SUS.
Entre os principais benefícios estão:
Organização da rede de atendimento
Redução da necessidade de deslocamento dos pacientes
Maior controle sobre vagas hospitalares
Na prática, o paciente permanece na unidade onde foi atendido enquanto a central busca o local adequado para seu tratamento.
Desafios ainda enfrentados
Mesmo sendo considerado um modelo essencial para o sistema público de saúde, a regulação ainda enfrenta dificuldades.
O principal problema está na falta de recursos suficientes na rede de atendimento, como leitos hospitalares, profissionais e equipamentos.
Quando a demanda é maior que a estrutura disponível, o sistema encontra dificuldades para dar respostas rápidas.
Ainda assim, especialistas apontam que o modelo continua sendo fundamental para organizar o atendimento dentro do SUS e garantir mais justiça no acesso aos serviços de saúde.
Siga a Revista Formosa no Instagram. Nosso canal no WhatsApp e esteja sempre atualizado! Receba as últimas notícias da Revista Formosa no Google News.
