Crise no BRB e no Iprev coloca finanças do DF sob risco e pressiona governo Ibaneis e Celina

22/01/2026

Por Revista Formosa

O Distrito Federal pode se aproximar de uma das situações fiscais mais delicadas de sua história recente. 

Com a previsão orçamentária de R$ 43,6 bilhões para 2026, aprovada pela Câmara Legislativa no fim de 2025, estimativas indicam que uma parcela significativa desse valor — superior a 20% — pode estar comprometida por passivos relacionados a operações financeiras que envolvem o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.

O quadro se torna ainda mais sensível devido ao papel do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), que figura como o segundo maior acionista do BRB. 

Isso significa que recursos destinados à aposentadoria e às pensões de servidores públicos acabam expostos ao desempenho financeiro da instituição bancária, elevando o grau de risco para o sistema previdenciário local.

A preocupação aumentou após a divulgação de reportagens que apontam fragilidades na saúde financeira do Iprev. Em novo levantamento publicado pelo portal Metrópoles, documentos internos indicam que o instituto projeta um déficit de R$ 2,1 bilhões para 2026. 

Em comunicação interna, a Diretoria de Administração e Finanças teria alertado a presidência sobre a necessidade de aportes urgentes para assegurar o pagamento regular de benefícios no próximo ano.

Analistas ouvidos nas reportagens avaliam que a soma de fatores — operações consideradas arriscadas, exposição do patrimônio previdenciário e a dependência crescente de recursos do Tesouro distrital — pode gerar um efeito em cadeia nas contas públicas. O problema ultrapassa o campo financeiro e passa a ter repercussões políticas e institucionais.

Nos bastidores do meio jurídico e político, já se fala na possibilidade de responsabilização de autoridades do Executivo local, caso investigações futuras indiquem que decisões administrativas tenham contribuído para comprometer o equilíbrio das finanças públicas e do regime previdenciário. 

Eventuais conclusões nesse sentido poderiam embasar questionamentos legais sobre a permanência de gestores nos cargos.

Enquanto isso, servidores acompanham o cenário com apreensão, temendo atrasos ou dificuldades no recebimento de aposentadorias e pensões. 

A cobrança por maior transparência e por um plano concreto de enfrentamento da situação cresce, direcionando pressão tanto ao Palácio do Buriti quanto às direções do BRB e do Iprev.

O tema deve ganhar ainda mais espaço no debate público do Distrito Federal nos próximos meses, à medida que novos dados venham à tona e órgãos de controle avancem em análises e auditorias.

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