Calcário do Araripe começa a ser escoado para o Matopiba pela Transnordestina

Por Revista Formosa
Empresas do Polo Gesseiro do Araripe começaram a utilizar, em fase de testes, a Ferrovia Transnordestina para o transporte de calcário agrícola e gipsita bruta.
A iniciativa marca um novo momento para a cadeia mineral da região, que há décadas reivindica uma alternativa logística mais eficiente para escoar a produção.
Os embarques estão sendo realizados a partir de Ouricuri (PE), utilizando o trecho já concluído entre Bela Vista do Piauí e Iguatu.
Esse segmento integra o eixo ferroviário Eliseu Martins–Salgueiro–Pecém, que soma 727 quilômetros entregues, de um total de 1.206 km previstos.
Calcário segue para o Matopiba

O primeiro carregamento foi feito pela Siqueira Mineração, que enviou calcário agrícola com destino ao Sul do Piauí, atendendo à região do Matopiba — área formada pelo oeste da Bahia, sul do Piauí e Maranhão, além do Tocantins.
O produto, derivado da gipsita, é amplamente utilizado como corretivo de solo na agricultura.
A empresa considera o teste um passo estratégico para ampliar o portfólio de cargas transportadas pela ferrovia, incluindo, futuramente, gipsita, gesso agrícola e brita.
Gipsita para o Cariri cearense
Já a Mineradora Boa Esperança, do Grupo Trevo Gesso, iniciou o envio de 500 toneladas de gipsita bruta voltada à produção de drywall.
A carga tem como destino uma unidade industrial localizada em Abaiara (CE), no Cariri cearense. Para efeito de comparação, o volume transportado equivale a cerca de dez caminhões com capacidade média de 50 toneladas cada.
De acordo com a direção do grupo, a adoção definitiva do modal ferroviário dependerá da viabilidade econômica, principalmente em trajetos curtos que hoje são realizados por rodovia, em percursos de aproximadamente 160 quilômetros.
As duas mineradoras envolvidas têm potencial para movimentar entre 12 mil e 15 mil toneladas de gipsita por mês.

Pecém ganha força como rota de exportação
Com o trecho Salgueiro–Suape paralisado há mais de dez anos, a expectativa inicial de utilizar o Porto de Suape ficou em segundo plano.
Assim, o Porto do Pecém desponta como principal alternativa para escoamento da produção mineral do Araripe. A previsão é de que a ligação até Pecém seja finalizada até 2027.
Especialistas apontam que, uma vez consolidados contratos logísticos com o terminal cearense, a tendência é que o fluxo de cargas permaneça direcionado ao novo eixo, mesmo que o trecho pernambucano seja retomado no futuro.
Impacto econômico e expectativa de crescimento
Lideranças do setor avaliam que o uso da ferrovia pode reduzir custos operacionais, aumentar a competitividade do Polo Gesseiro e estimular a geração de empregos na região.
A estimativa é que a produção de gipsita e derivados tenha potencial para alcançar cerca de 1 milhão de toneladas anuais utilizando o modal ferroviário.
O Araripe já respondeu por aproximadamente 95% da produção nacional de gesso. Atualmente, essa participação está abaixo de 70%, reflexo, sobretudo, das dificuldades logísticas enfrentadas ao longo dos anos.
Os testes em curso representam, portanto, uma etapa decisiva para reposicionar o polo mineral pernambucano no cenário nacional e ampliar suas oportunidades de mercado.
