Brasil pode perder influência sobre Itaipu para os Estados Unidos, e disputa internacional acende alerta energético

21/01/2026

Por Revista Formosa

A Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores do mundo, passou a integrar uma disputa geopolítica que envolve diretamente Brasil, Paraguai e os Estados Unidos, levantando o risco de o Brasil perder influência sobre parte da energia gerada. 

O novo cenário ganhou força após o acordo firmado em 2025, que autorizou o Paraguai a vender sua parcela de eletricidade de forma direta no mercado.

Com capacidade instalada de cerca de 14 mil megawatts, Itaipu deixou de ser apenas um pilar do sistema elétrico regional e passou a ser vista como ativo estratégico global. 

O interesse dos Estados Unidos está ligado à expansão de data centers e à crescente demanda da inteligência artificial, setores que exigem fornecimento contínuo, estável e em grande escala de energia.

No Brasil, autoridades do setor elétrico demonstram preocupação com a possível perda de previsibilidade no abastecimento. 

Caso a energia que historicamente era direcionada ao mercado brasileiro passe a ser negociada com outros países, cresce o risco de instabilidade no sistema nacional, o que alimenta alertas sobre um eventual apagão em cenários extremos.

Para o Paraguai, a autorização para venda direta representa aumento de autonomia e poder de negociação. O país se reposiciona como potencial polo energético para infraestrutura digital, o que pode atrair investimentos internacionais. 

Esse movimento, porém, também traz desafios ambientais, como o maior consumo de água necessário para o resfriamento de data centers.

Apesar das especulações sobre uma maior presença americana, Brasil e Paraguai seguem em negociações para revisar o Tratado de Itaipu, especialmente o Anexo C, buscando manter o equilíbrio da parceria binacional. 

Diplomatas dos dois países confirmaram a retomada do diálogo, numa tentativa de evitar que a usina se transforme em foco permanente de tensão regional.

O caso expõe como Itaipu deixou de ser apenas uma hidrelétrica binacional e passou a ocupar papel estratégico no cruzamento entre energia, tecnologia e geopolítica, com o Brasil diante do risco concreto de perder protagonismo para os Estados Unidos.

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