Brasil pode perder influência sobre Itaipu para os Estados Unidos, e disputa internacional acende alerta energético

Por Revista Formosa
A Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores do mundo, passou a integrar uma disputa geopolítica que envolve diretamente Brasil, Paraguai e os Estados Unidos, levantando o risco de o Brasil perder influência sobre parte da energia gerada.
O novo cenário ganhou força após o acordo firmado em 2025, que autorizou o Paraguai a vender sua parcela de eletricidade de forma direta no mercado.
Com capacidade instalada de cerca de 14 mil megawatts, Itaipu deixou de ser apenas um pilar do sistema elétrico regional e passou a ser vista como ativo estratégico global.
O interesse dos Estados Unidos está ligado à expansão de data centers e à crescente demanda da inteligência artificial, setores que exigem fornecimento contínuo, estável e em grande escala de energia.
No Brasil, autoridades do setor elétrico demonstram preocupação com a possível perda de previsibilidade no abastecimento.
Caso a energia que historicamente era direcionada ao mercado brasileiro passe a ser negociada com outros países, cresce o risco de instabilidade no sistema nacional, o que alimenta alertas sobre um eventual apagão em cenários extremos.
Para o Paraguai, a autorização para venda direta representa aumento de autonomia e poder de negociação. O país se reposiciona como potencial polo energético para infraestrutura digital, o que pode atrair investimentos internacionais.
Esse movimento, porém, também traz desafios ambientais, como o maior consumo de água necessário para o resfriamento de data centers.
Apesar das especulações sobre uma maior presença americana, Brasil e Paraguai seguem em negociações para revisar o Tratado de Itaipu, especialmente o Anexo C, buscando manter o equilíbrio da parceria binacional.
Diplomatas dos dois países confirmaram a retomada do diálogo, numa tentativa de evitar que a usina se transforme em foco permanente de tensão regional.
O caso expõe como Itaipu deixou de ser apenas uma hidrelétrica binacional e passou a ocupar papel estratégico no cruzamento entre energia, tecnologia e geopolítica, com o Brasil diante do risco concreto de perder protagonismo para os Estados Unidos.
Siga a Revista Formosa no Instagram. Nosso canal no WhatsApp e esteja sempre atualizado! Receba as últimas notícias da Revista Formosa no Google News.
