Barreiras na mira: mais de 100 cursos de Medicina têm nota ruim no Enamed

20/01/2026
Foto: Barreiras Bahia
Foto: Barreiras Bahia

Por Revista Formosa

Mais de 100 cursos de Medicina no Brasil foram mal avaliados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). 

As instituições receberam conceitos 1 e 2 — classificados como insatisfatórios pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) — e poderão sofrer restrições no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e redução ou suspensão de vagas.

O balanço foi divulgado nesta segunda-feira (19), em Brasília. Dos 351 cursos avaliados em todo o país, cerca de 30% ficaram nas faixas mais baixas de desempenho.

Segundo o Inep, 24 cursos obtiveram conceito 1 (o pior índice) e 83 cursos ficaram com conceito 2. Aproximadamente 89 mil estudantes participaram do exame, incluindo concluintes e alunos de outros períodos. 

Entre os quase 39 mil formandos avaliados, apenas 67% alcançaram desempenho considerado "proficiente" — ou seja, demonstraram conhecimento adequado para a prática médica. 

Cerca de 13 mil estudantes ficaram abaixo desse patamar.

Tentativa de barrar a divulgação

Antes da publicação dos resultados, uma entidade representativa de universidades privadas tentou impedir judicialmente a divulgação das notas do Enamed, mas a ação foi rejeitada pela Justiça. 

O exame é aplicado anualmente para medir tanto o desempenho dos estudantes quanto a qualidade dos cursos de Medicina no país.

Quem teve os piores resultados

Os conceitos mais baixos concentraram-se principalmente em três grupos:

Instituições públicas municipais — 87,5% dos cursos ficaram nos conceitos 1 e 2;
Instituições privadas com fins lucrativos — 58,4% tiveram desempenho insuficiente;
Instituições especiais — 54,6% também nas faixas mais baixas.

Já as universidades federais e estaduais lideraram os melhores desempenhos:

87,6% dos cursos federais ficaram entre conceitos 4 e 5;

84,7% das estaduais alcançaram os mesmos níveis.

Cursos afetados — o que muda na prática

De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, 99 cursos estarão sujeitos a penalidades diretas do MEC (as demais instituições são estaduais ou municipais e não entram na gestão federal). 

As sanções incluem:

8 cursos: suspensão total de novas vagas e bloqueio do Fies;
13 cursos: redução de 50% das vagas e suspensão do Fies;
33 cursos: corte de 25% das vagas e suspensão do Fies;
45 cursos: impedidos de ampliar o número de vagas.

As instituições terão prazo para apresentar defesa e plano de melhoria. Segundo o ministro, o objetivo não é punir, mas elevar o padrão da formação médica no país.

"É um instrumento para que as instituições corrijam rumos e ofereçam ensino de qualidade. No fim, quem ganha é a população atendida por esses profissionais", afirmou Camilo Santana.

Destaques regionais citados na avaliação

Entre os cursos com conceito 1 ou 2, aparecem unidades como:

  • Centro Universitário Maurício de Nassau — Barreiras (BA);

  • Universidade Nilton Lins — Manaus (AM);
  • Centro Universitário CEUNI-FAMETRO — Manaus (AM);
  • Centro Universitário UNINORTE — Rio Branco (AC);
  • Universidade Federal do Pará — Altamira (PA);
  • Universidade de Mogi das Cruzes — Mogi das Cruzes (SP).

Esses cursos integram o conjunto de instituições que deverão passar por monitoramento mais rigoroso do MEC.

Confira a lista Completa

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