ADULTIZAÇÃO E EDUCAÇÃO: Desafios na formação de crianças e adolescentes no oeste baiano

08/01/2026

Escrito pela Professora Simone dos Santos Laranjeira.

Imagem ilustrativa: IA
Imagem ilustrativa: IA

Por Revista Formosa

A infância e a adolescência são fases fundamentais para o desenvolvimento integral do ser humano, marcadas por descobertas, aprendizagens e experiências que constroem a identidade e a visão de mundo. 

No entanto, o fenômeno da adultização, entendido como a atribuição precoce de comportamentos, responsabilidades ou aparências adultas a crianças e adolescentes tem se intensificado em nossa sociedade, inclusive em cidades do interior, como o oeste baiano.

Assim, é importante destacar que a adultização tende a gerar impactos mais profundos em cidades do interior, principalmente porque os contextos sociais, culturais e econômicos dessas regiões favorecem a naturalização desse processo.

Vale detalhar alguns fatores que explicam isso:

  • No interior, muitas famílias vivem em condições de maior dependência da força de trabalho de todos os membros.
  • Crianças e adolescentes são mais cedo inseridos nas rotinas de cuidado da casa ou de irmãos menores, o que encurta o tempo da infância.

Adultização e seus Impactos na Educação

De acordo com especialistas, a adultização traz múltiplos desafios no campo educacional:

  • Prejuízos emocionais: crianças que assumem responsabilidades de adultos podem apresentar ansiedade, baixa autoestima e dificuldades de convivência escolar.
  • Evasão escolar: em contextos de vulnerabilidade, meninas e meninos que trabalham ou cuidam de irmãos acabam abandonando a escola precocemente.
  • Desigualdade de gênero: historicamente, meninas sofrem mais com a adultização, seja pela erotização precoce imposta pela mídia, seja pela responsabilização no espaço doméstico.
  • Relações pedagógicas comprometidas: professores muitas vezes encontram estudantes infantilizados em conhecimentos, mas forçados socialmente a se portar como adultos.

Impactos na sala de aula

De acordo com educadores de Barreiras, no oeste da Bahia, na sala de aula, os efeitos são visíveis. Crianças adultizadas apresentam ansiedade, dificuldades de convivência e baixa autoestima. 

Em bairros de maior vulnerabilidade social, o problema é ainda mais grave: muitos jovens deixam a escola para trabalhar ou cuidar de irmãos.

Além disso, há uma forte desigualdade de gênero. Historicamente, meninas são mais afetadas pela adultização, seja pela erotização precoce em propagandas e redes sociais, seja pela sobrecarga de responsabilidades dentro de casa.

O papel da escola

Diante desse cenário, a escola se torna um espaço estratégico de resistência. Especialistas defendem algumas iniciativas importantes:

  • Educação midiática, para que os alunos aprendam a questionar padrões impostos pela publicidade e redes sociais;
  • Valorização do brincar e da ludicidade, trazendo de volta jogos, artes e criatividade ao cotidiano escolar;
  • Apoio psicossocial, com acompanhamento de profissionais que ajudem no acolhimento emocional;
  • Discussão sobre gênero e desigualdades, preparando os estudantes para reconhecer e combater preconceitos.

Proteger a infância é proteger o futuro

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 227, estabelece que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar com absoluta prioridade os direitos à vida, à saúde, à educação, ao lazer e à proteção contra qualquer forma de exploração.

Em contrapartida, os números mostram uma realidade alarmante: cidades do interior enfrentam aumento real de violações contra crianças e adolescentes. 

A adultização, ao violar direitos constitucionais e do ECA, deve ser enfrentada com políticas sólidas, educação, denúncia ativa e redes de proteção atualizadas.

Assim, a adultização é muito mais que um desafio educacional, é um problema social que envolve família, mídia e políticas públicas. 

Garantir que crianças e adolescentes possam viver plenamente sua fase de crescimento é investir em uma geração mais saudável, crítica e preparada para o futuro.

Por Simone dos Santos Laranjeira.

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